Diálogo na Costa Rica divide opiniões em Honduras

Tegucigalpa, 11 jul (EFE).- Os hondurenhos tiveram diferentes opiniões hoje sobre o diálogo mediado pela Costa Rica, na busca de uma saída para a crise política em Honduras, mas concordaram sobre a confiança na gestão do presidente Óscar Arias.

EFE |

No final da primeira fase da negociação, em San José, surgiram opiniões pessimistas, enquanto outros setores apostaram por uma saída pactuada ao conflito enfrentado por Honduras, depois da destituição do presidente Manuel Zelaya, no dia 28 de junho.

As delegações de representantes de Zelaya e do novo líder, Roberto Micheletti, deram por concluídas nesta sexta-feira suas primeiras aproximações, mas que não resultaram em um acordo, com a decisão de voltar à mesa de diálogo em uma data e lugar ainda não definidos.

Em suas primeiras reações, o ex-chanceler Carlos López, chefe da comissão de Micheletti, lembrou que Arias "disse que estes não são processos simples e que é preciso ter paciência para chegar a um termo satisfatório".

"As partes têm que, de alguma maneira, buscar pontos de convergência, mas sendo Honduras um Estado soberano, a única coisa a ser feita é invocar a legislação nacional, sua Constituição, suas leis e seu sistema jurídico", declarou López à imprensa local.

Apesar de diferentes setores e o próprio Arias terem antecipado que não haveria acordos nas primeiras jornadas de negociação, dirigentes políticos e sociais expressaram sua decepção diante da "falta de resultados". Por sua vez, analistas pediram que as esperanças sejam mantidas, na mediação do governante costarriquenho.

"É muito prematuro dar afirmações conclusivas sobre um diálogo que mal se iniciou", disse o analista político e ex-candidato presidencial do esquerdista partido Unificação Democrática (UD), Matías Funes, à Agência Efe, quem recomendou aos hondurenhos que tenham calma.

O balanço destes primeiros diálogos "deixa muito claro" que Zelaya insiste em voltar à Casa Presidencial, mas Micheletti não cede.

"Esse é o ponto mais difícil de resolver", acrescentou Funes, e apontou uma terceira opção: um Governo de conciliação, que organize as eleições gerais do dia 29 de novembro ou a possibilidade de antecipação das votações.

Sobre declarações de outros governantes a respeito da crise, entre eles o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, opinou que é um problema que deve ser resolvido pelos hondurenhos, como nos anos 80, quando, por intermédio de Arias, assinaram os Acordos de Esquipulas.

Esses acordos, assinados na Guatemala no dia 7 de agosto de 1987, marcaram o início da pacificação na América Central, após a Guerra Fria.

O coordenador do Conselho Nacional Anticorrupção (CNA), Juan Ferrera, reiterou sua esperança neste processo e rejeitou as declarações de Chávez, que advertiu que o diálogo na Costa Rica "nasceu morto".

"Esta é uma decisão que deve ser dos hondurenhos", afirmou, depois de assinalar que não considera que o líder venezuelano "tenha a tranquilidade para julgar estes diálogos".

Já a deputada Doris Gutiérrez, da UD, lamentou que a situação depois dos diálogos tenha "ficado em zeros".

"Tínhamos uma expectativa muito alta", disse à Efe e reiterou que agora "a situação é a mesma de quando o golpe de Estado contra Zelaya foi realizado".

Marvin Ponce, também deputado da UD, qualificou de "histórica" a mediação de Arias, mas advertiu que, se fracassar, haverá "uma guerra popular prolongada em Honduras", apesar de que, segundo disse à imprensa, "poucos acreditam que isso possa acontecer".

A única saída ao conflito é que Zelaya volte ao poder, insistiu Ponce, posição respaldada por Eulogio Chávez, dirigente dos sindicatos dos professores de educação média, que opinou que o diálogo "não vai resolver o problema".

Para o cidadão comum, a crise se traduziu em incerteza, que afetou o comércio em Tegucigalpa, pois os hondurenhos preferem cortar despesas até saberem o que acontecerá. EFE lb-lam/pd

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