Diálogo na Bolívia entra em terceiro dia com manutenção de protestos

Cochabamba (Bolívia), 20 set (EFE).- O Governo de Evo Morales e os opositores autonomistas da Bolívia prosseguem hoje com o processo de diálogo para pacificar o país, o qual chegou em seu terceiro dia com a manutenção de algumas medidas de pressão exercidas por setores sociais ligados às duas partes.

EFE |

Depois de voltar de sua visita ao Panamá, o presidente Evo Morales foi para Cochabamba, onde abriu a sessão com a oposição e os mediadores internos e externos para analisar os avanços obtidos desde quinta-feira.

No começo da reunião deste sábado, o enviado da União de Nações Sul-americanas (Unasul), Juan Gabriel Valdez, ratificou o apoio internacional ao Governo Morales e disse que todos estão "inspirados pela esperança de um povo que decide resolver seus problemas negociando".

"Viemos apoiar o Governo de Morales, que vemos como um Governo extraordinariamente representativo de um povo nobre que deseja um futuro melhor", acrescentou Valdez, que acrescentou que Morales pode contar "plenamente" com o esforço e o apoio da Unasul.

"Sentimo-nos depositários de uma esperança regional em uma nova organização que é a Unasul, que tem um trabalho importante a desenvolver no apoio à democracia e ao desenvolvimento do continente", ressaltou.

A sessão de hoje vai avaliar principalmente os trabalhos de sexta-feira sobre a nova Constituição boliviana, a autonomia reivindicada pelos opositores e a receita referente à exploração de petróleo, assuntos que continuarão sendo debatidos ao longo do dia.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que está na Bolívia desde ontem, disse nesta manhã que vê de forma positiva o diálogo. Porém, afirmou que espera o pleno cumprimento dos acordos sobre a suspensão das medidas de pressão que ainda se mantêm em alguns pontos do país.

"Ainda estamos preocupados com o pleno cumprimento dos acordos relacionados à devolução dos locais ocupados e também com a abertura das estradas", disse Insulza, que deve deixar a Bolívia amanhã.

No entanto, Insulza enfatizou que não acha que essas circunstâncias perturbarão o diálogo.

Na mesa de negociação política, Morales ofereceu à oposição revisar no projeto da nova Constituição o capítulo sobre as autonomias, para que este seja "melhorado".

Sobre a distribuição do imposto sobre o petróleo, o ministro da Fazenda, Luis Arce, disse hoje que foi feita uma "proposta concreta" à oposição, que ainda vai ser respondida pelos governos opositores.

EFE ja/sc

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