Diálogo hondurenho termina com único acordo de prosseguir

As negociações entre o regime de fato de Honduras e delegados do presidente destituído Manuel Zelaya terminou na sexta-feira em San José após dois dias de deliberações sem resultado, apesar do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, ter afirmado que as duas partes voltarão a conversar em breve.

AFP |

    "As duas partes acertaram continuar com as conversações o mais rápido possível para concluir este processo de diálogo", destacou Arias ao final de cinco horas de debates, no segundo dia do encontro.

    "Nos próximos dias anunciaremos a data da próxima reunião", disse Arias, estimando que todo o processo "vai exigir tempo".

    A mediação de Arias é apoiada pelos Estados Unidos e a comunidade internacional. Mas ao fim de dois dias, as partes não chegaram a uma solução para o ponto central: a exigência de retorno de Zelaya à presidência.

    "É inviável que em apenas uma reunião possamos resolver conflitos tão profundos como os que dividem a família hondurenha", disse Arias sobre a falta de acordo para a crise desatada em Honduras com o golpe de Estado que derrubou Zelaya, em 28 de junho.

    O governo do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou em Tegucigalpa que determinou a permanência de seus delegados em San José até a solução da crise. No entanto, estes retornaram ao país na noite de sexta-feira e afirmaram que retornarão assim que Arias solicitar.

    O presidente costarriquenho rebateu as críticas ao diálogo feitas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, depois que este afirmou que toda a situação era um erro promovido pelos Estados Unidos.

    O Departamento de Estado confirmou que Chávez entrou em contato com o chefe da diplomacia para a América Latina, Thomas Shannon, para "conversar" sobre Honduras.

    Michelleti também respondeu as críticas de Chávez ao afirmar que o presidente da Venezuela está perdendo credibilidade.

    "Disse que ia nos invadir e não invadiu, que ia manter o combustível para os hondurenhos e não o fez, disse que ia trazer Manuel Zelaya Rosales em um dia e não trouxe. Então, está perdendo a credibilidade", declarou Micheletti.

    Ao mesmo tempo, a delegação de Zelaya destacou que o conflito hondurenho ultrapassou as fronteiras e que todo o mundo está envolvido.

    Em Washington surgiram críticas republicanas à postura do governo democrata de Barack Obama sobre o caso Honduras.

    Republicanos da Câmara de Representantes afirmaram que Zelaya criou um ambiente polarizado antes de ser destituído em 28 de junho.

    "Ao chamar isto de golpe e com pedidos de reinstauração de Zelaya, o governo agora está do lado de Chávez, (Evo) Morales e (Daniel) Ortega, e não do lado do povo hondurenho", afirmou o republicano Connie Mack. Arias foi quem pareceu melhor resumir a situação.

    "Deixem os centroamericanos resolver os problemas dos centroamericanos, tal como fizemos há 22 anos", pediu, em uma referência aos acordos de Esquipulas, que levaram à pacificação da região e valeram a ele o Prêmio Nobel da Paz de 1987.


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