Diálogo fracassa, e Bolívia deve ter referendo

LA PAZ (Reuters) - O fracasso do diálogo entre o governo e parte da oposição na Bolívia abriu caminho para que a crise política seja resolvida por um referendo a respeito dos mandatos do presidente Evo Morales e dos nove governadores, disse um ministro na quarta-feira. O processo, que já estava debilitado pela ausência do partido direitista Podemos, sofreu um golpe definitivo na terça-feira, com a deserção do segundo principal partido da oposição, o centrista Unidade Nacional, do magnata do cimento Samuel Doria Medina.

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O único governador não-governista que participava do diálogo também se retirou, para desalento dos observadores internacionais e da Igreja Católica, que atuava como mediadora no confronto entre os defensores da nova Constituição promovida por Morales e os partidários das autonomias aprovadas em regiões controladas pela oposição.

'Não há marcha à ré no [referendo] revogatório convocado para 10 de agosto', disse em entrevista coletiva o ministro da Presidência (Casa Civil), Juan Ramón Quintana. 'Agora somos os cidadãos que em última instância decidirão se os mandatários são ratificados, esta decisão é irreversível', acrescentou.

Analistas políticos acham que Morales fez uma aposta muito arriscada ao aceitar o referendo, mas que pode sair fortalecido se permanecer no cargo e ainda conseguir se livrar de alguns governadores de oposição.

O frustrado diálogo começou há duas semanas e buscava uma compatibilidade entre a nova Constituição e os estatutos autonômicos aprovados em Santa Cruz, Beni e Pando, em votações que não foram reconhecidas pelo governo central.

No dia 22 de junho, um quarto Departamento, Tarija, vota sua autonomia. Ali estão as maiores reservas de gás do país, destinadas principalmente ao consumo de Argentina e Brasil.

O empresário Doria Medina abandonou o diálogo na terça-feira dizendo-se enganado pelo governo e queixando-se da falta de 'sinais claros'.

O Podemos e os governadores oposicionistas reiteraram que só vão aceitar dialogar com o governo depois do referendo autonomista de Tarija.

(Reportagem de Ana María Fabbri)

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