Diálogo entre Morales e governadores autonomistas termina sem acordos

La Paz, 5 out (EFE).- O presidente Evo Morales e seus opositores autonomistas terminaram hoje o chamado diálogo nacional, sem terem chegado a um acordo sobre a crise do país, após 18 dias de negociações sob a observação de organismos internacionais.

EFE |

Os governadores regionais de Santa Cruz, Tarija, Beni e Chuquisaca deram por finalizado o processo, após se negarem a assinar um documento proposto por Morales para tornar viável a convocação do referendo constitucional e aprovar os avanços conseguidos nas mesas técnicas.

Mas a proposta foi assinada pelos governadores de Oruro, Potosí, La Paz, Cochabamba e Pando, todos governistas e os três últimos interinos.

A nova Constituição impulsionada por Morales para voltar a fundar o país e que dependente de ratificação em referendo foi de novo o principal obstáculo para fechar um acordo político entre o Governo e seus opositores.

No entanto, o Governo Morales tentará agora no Congresso Nacional conseguir os consensos necessários para que se aprove a lei de convocação da consulta constitucional.

Segundo explicou o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, apesar da recusa dos governadores regionais de assinar um acordo, o Governo mantém sua vontade de recolher "suficientemente" no novo texto constitucional as "observações" das regiões autonomistas.

"O Governo nacional quer deixar claramente estabelecido perante o povo boliviano que pudemos trabalhar um novo capítulo de organização territorial do estado, incluindo as autonomias departamentais no projeto constitucional", destacou o ministro.

No entanto, o bloco opositor autonomista, que colocou propostas alternativas ao documento de Morales para continuar a negociação, ressaltou aos jornalistas que não fechou nenhum tipo de acordo porque suas reivindicações não foram satisfeitas.

O porta-voz dos governadores autonomistas, Mario Cossío, de Tarija, admitiu também que a principal divergência se centra na impossibilidade de abrir o debate sobre a nova Constituição em outros aspectos à parte da questão autônoma.

Apesar do fracasso do processo de diálogo, os governadores opositores se mostraram satisfeitos com o fato de pelo menos esta etapa de negociação ter servido para pacificar o país.

O chamado "diálogo nacional" começou em Cochabamba no dia 18 de setembro após uma onda de protestos promovidos pelos opositores depois do referendo revogatório do dia 10 de agosto, no qual Morales foi ratificado com 67,4% de apoio.

Com esses protestos, os dirigentes autonomistas reivindicavam ao Governo a restituição da receita do petróleo procedentes do Imposto Direto aos Hidrocarbonetos, um dos assuntos debatidos no processo de diálogo.

Mas estas mobilizações derivaram em uma onda de violência no sudeste do país durante o mês de setembro com saques violentos de instituições estatais, ataques a gasodutos e refinarias e bloqueios de estradas nacionais e internacionais.

O capítulo mais grave aconteceu no departamento de Pando (norte), onde um confronto armado entre autonomistas e governistas acabou em um massacre onde morreram 18 pessoas, a maioria camponeses partidários de Morales.

Devido a estes fatos, o Governo decretou o estado de sítio em Pando, deteve seu governador regional, o opositor Leopoldo Fernández, e nomeou um militar como governador interino do departamento.

Para tentar pacificar o país, Morales e os opositores abriram uma mesa de diálogo, com o trabalho de "facilitadores" de organismos como Organização dos Estados Americanos (OEA), União das Nações Sul-Americanas (Unasul), União Européia e a Igreja. EFE sam/ma

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