Diálogo entre líderes hondurenhos termina sem acordo e com duras posições

Douglas Marín Mata. San José, 10 jul (EFE).- A primeira fase do diálogo que procura solucionar a grave crise política em Honduras, gerada pelo golpe de Estado do dia 28 de junho, terminou hoje na Costa Rica sem acordo, mas com avanços, apesar das duras posições mantidas pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, e o em exercício, Roberto Micheletti.

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A decisão de continuar dialogando, em uma data e lugar ainda não definidos, foi o principal resultado de dois dias de conversas mediadas pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias.

Arias também conseguiu estabelecer uma agenda de temas a tratar, mas preferiu não divulgá-la.

No entanto, não conquistou um de seus principais objetivos desta fase: reunir Zelaya e Micheletti em uma mesma mesa de negociações.

O presidente costarriquenho declarou, em entrevista coletiva, que se sente "satisfeito" com a "conversa franca e respeitosa entre irmãos hondurenhos" e confirmou que "nos próximos dias" marcará a data para o próximo encontro com as duas comissões de diálogo.

Sem dizer nomes, Arias pediu que "deixem os centro-americanos resolverem os problemas dos centro-americanos" e assegurou que continuará intermediando para solucionar o conflito, enquanto as duas partes concordarem.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou hoje duramente o processo de conversas estabelecido em San José e assegurou que "já tinha nascido morto", em declarações que foram criticadas pela delegação de Micheletti.

"Lamentamos profundamente as desafortunadas declarações de um presidente da América do Sul sobre este importante processo de mediação", expressou o ex-chanceler hondurenho Carlos López, líder da comissão nomeada na quinta-feira por Micheletti, durante sua breve visita a San José.

López assegurou que sua delegação mantém a posição de encontrar uma saída que respeite a Constituição hondurenha e elogiou o trabalho realizado por Arias nas reuniões em sua residência particular em San José.

O ex-chanceler Milton Jiménez, que liderou o grupo de Zelaya, afirmou que sua postura continua sendo a restituição do líder deposto e da ordem democrática.

Disse ainda que Zelaya foi "expatriado de forma violenta e impedido a retornar ao país, apesar de ser um cidadão com plenos direitos civis".

Comentou que o governante deposto, que está hoje na República Dominicana, tem uma agenda internacional que inclui reuniões com presidentes e instituições internacionais, em demonstração de sua "atitude de abertura".

Jiménez defendeu uma solução para o problema "de forma democrática", para que "em um curto prazo Zelaya retorne ao posto para o qual foi eleito pelo povo".

Os representantes de Zelaya solicitaram a Arias que a próxima reunião aconteça em Honduras, decisão que está nas mãos do líder costarriquenho, em sua posição de mediador.

Arias fez um chamado aos hondurenhos para que "conservem seus desejos e mantenham suas orações" e que evitem atos violentos.

O mediador reiterou sua confiança em solucionar a crise através do diálogo, porque "assim se começam a sanar as feridas", embora tenha aceitado que existam "duas versões diferentes do ocorrido antes e depois do dia 28 de junho".

"Ontem eu disse que o processo levaria tempo, mas insistirei até o cansaço que na longa epopeia da humanidade o passo decisivo é sempre o primeiro", afirmou Arias.

Micheletti disse hoje, em Tegucigalpa, que se manterá "até o último minuto" nas conversas mediadas por Arias, para resolver a crise política no país e afirmou que sua comissão "tem a obrigação de ficar até o último minuto nas deliberações, com a intenção de que o diálogo tenha sucesso".

O grupo que representou Micheletti foi integrado pelo ex- chanceler Carlos López; os assessores Arturo Currais e Mauricio Villega, e Vilma Morales, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça.

A delegação de diálogo de Zelaya foi composta por sua chanceler, Patricia Rodas, que abandonou o país na quinta-feira junto com ele; a deputada de esquerda Silvia Ayala; Salvador Zúniga, coordenador de organizações populares, e Milton Jiménez, ex-chanceler hondurenho.

EFE dmm/pd

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