Diálogo entre Hamas e Egito para discutir trégua com Israel continuará amanhã

Cairo, 20 mai (EFE).- As conversas entre o grupo islâmico palestino Hamas e o negociador egípcio Omar Suleiman para tratar das exigências israelenses visando uma trégua continuarão amanhã, às 18h30 no horário local (12h30 de Brasília), segundo fontes palestinas.

EFE |

Pouco depois de os representantes palestinos e egípcios se reunirem na sede do Serviço Secreto do Cairo, eles anunciaram que as reuniões continuarão amanhã.

Esta nova rodada de conversas será realizada em meio ao ceticismo palestino, cada vez maior, devido às exigências das duas partes.

"Ainda existem grandes divergências entre Hamas e Israel sobre uma possível trégua", disse um membro da delegação do grupo islâmico, um conselheiro do ex-primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Ismail Haniyeh que pediu o anonimato.

"O Hamas se manterá firme em suas exigências relativas à libertação do soldado israelense Gilad Shalit pedida por Israel", acrescentou.

Como contrapartida para libertar o soldado israelense, em poder de milícias palestinas desde junho de 2006, o Hamas exige a libertação de mil dos 11 mil presos palestinos detidos em prisões israelenses.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, condicionou o acordo com o grupo islâmico à libertação de Shalit.

Barak se reuniu com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, na localidade egípcia de Sharm el-Sheikh, e após o encontro disse à imprensa que Israel estava decidido a devolver a segurança à fronteira da Faixa de Gaza "pelos meios que fossem necessários".

A delegação do Hamas chegou na noite de segunda-feira ao Egito liderada pelo "número dois" do braço político do grupo, Mousa Mohammed Abu Marzook.

Nas negociações serão tratadas as condições de uma possível trégua de seis meses entre o Hamas e Israel, proposta pelo Egito no mês passado, e que já tinha sido aceita por quase todas as milícias palestinas, antes de ser anunciada a exigência israelense de incluir o caso de Shalit.

A proposta consiste na interrupção das operações militares israelenses em Gaza e na suspensão do bloqueio econômico à região, em troca do fim do lançamento de foguetes por grupos armados palestinos contra as localidades israelenses vizinhas a seus territórios.

A trégua seria aplicada primeiro à Faixa de Gaza e, depois, à Cisjordânia.

Israel se negou até agora a negociar diretamente com o Hamas - grupo que considera terrorista -, mas admitiu que o Egito exerça o papel de mediador entre o Estado judeu e o movimento fundamentalista.

Enquanto Israel exige a libertação do soldado Gilad Shalit, em poder do Hamas, e o fim do lançamento de foguetes de Gaza contra o território do Estado judeu, o grupo palestino exige a suspensão do bloqueio, a abertura das fronteiras e a libertação de mil presos palestinos em penitenciárias israelenses.

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