Diálogo de pacificação na Bolívia prossegue apesar da militarização

O diálogo de pacificação previsto para este domingo na Bolívia estava confirmado, apesar do governo de La Paz ter radicalizado a militarização das zonas de conflito e os prefeitos rebeldes terem ameaçado romper as negociações em caso de mais uma morte, depois de 18 vítimas fatais.

AFP |

A decisão dos prefeitos de comparecer na tarde deste domingo a uma reunião na sede da presidência entre o governo e o prefeito de Tarija, Mario Cossío, que faz a mediação para os colegas de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca, foi confirmada.

"Os prefeitos, dirigentes cívicos e o conjunto das instituições das regiões ratificaram a confiança para que (...) continue com esta missão", disse Cossío, em entrevista coletiva em Santa Cruz.

Ao lado do prefeito desta região, Rubén Costas, Cossío destacou que se reunirá na tarde deste domingo com Morales em La Paz, acompanhado por uma representação dos movimentos cívicos.

O estado de sítio na cidade de Cobija (norte) "não era a melhor maneira de começar o diálogo. Não queríamos acreditar que estão fazendo esforços para que o não avance, mas de maneira estóica vamos seguir insistindo no diálogo", disse.

A situação se complicou ainda mais depois que o prefeito (governador) do conturbado departamento de Pando, no extremo norte da Bolívia, Leopoldo Fernández, passou a ser procurado para ser preso por desacato ao estado de sítio decretado pelo governo nesta região pela violência política.

A ordem de prisão foi divulgada à imprensa pelo ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, que coordena as operações militares na região que é o epicentro da violência política desde quinta-feira, que já deixou 18 mortos e mais de 100 feridos.

O estado de sítio (limitação de liberdades constitucionais) foi decretado pelo governo em Pando depois dos duros confrontos entre trabalhadores rurais ligados ao presidente Evo Morales e grupos civis de direita que apóiam o prefeito Fernández.

Os demais prefeitos também criticaram o estado de sítio decretado em Pando.

O prefeito de Pando - que negou no sábado ter fugido ou ter planos de fuga para o Brasil - declarou publicamente sua oposição ao estado de sítio e disse que resistiria à aplicação do mesmo.

Segundo a agência estatal Pátria Nova, a cidade de Cobija, capital de Pando, volta paulatinamente à normalidade, depois dos enfrentamentos de sábado. Os militares começam a se deslocar pela cidade de Porvenir, próxima a Cobija, onde se registraram muitos choques.

Os confrontos entre grupos civis de direitas e trabalhadores rurais ligados ao presidente Evo Morales reiniciaram no sábado com duros enfrentamentos pelo controle de uma estrada na cidade de Tiquipaya, em Santa Cruz.

A profunda crise política que afeta a Bolívia preocupa os países da região, além das organizações multilaterais, que defendem uma solução pacífica à espera de uma reunião definitiva neste domingo entre governistas e opositores.

No entanto, a advertência dos prefeitos de que "se houver um só morto ou ferido a mais acontecerá o rompimento de qualquer possibilidade de diálogo", como destacou o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, líder da oposição, causou temores pelo encontro no qual seriam estabelecidas as bases da pacificação.

O presidente Evo Morales enfrenta os prefeitos e líderes civis de cinco regiões das nove da Bolívia por pontos de vista até agora irreconciliáveis sobre o projeto de uma nova Constituição, de cunho estatal, e contrário às autonomias exigidas pelas regiões, que por seu lado demandam ainda a restituição dos recursos do gás às prefeituras.

Longe de apresentar sinais de reconciliação, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu no sábado aos movimentos sociais que defendam "o processo de mudança" que o governo estimula ou que "morram pela pátria" diante do que considerou de tentativas conspirativas da oposição, mobilizada em cinco regiões do país.

Diante da gravidade da situação boliviana, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirá na segunda-feira em Santiago para examinar a crise.

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