O frágil diálogo de pacificação programado para este domingo na Bolívia pende por um fio, depois que o governo radicalizou a militarização das zonas de conflito e os prefeitos rebeldes ameaçaram romper relações se a violência resultar em mais mortes, depois das 18 vítimas fatais já registradas na crise.

A decisão dos prefeitos coloca em sério risco o precário diálogo aberto na sexta-feira na sede da presidência entre o governo e o prefeito de Tarija, Mario Cossío, que representava os colegas de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca.

"Ratificamos que, apesar das condições precárias, estamos fazendo todo o possível para manter o diálogo, esperamos que o governo não agregue elementos que gerem mais incerteza", afirmou Cossio.

Os confrontos entre grupos civis de direitas e trabalhadores rurais ligados ao presidente Evo Morales reiniciaram no sábado com duros enfrentamentos pelo controle de uma estrada na cidade de Tiquipaya, en Santa Cruz.

Os prefeitos criticaram também o estado de sítio decretado por Morales na região de Pando, para donde enviou tropas para restabelecer a ordem.

A profunda crise política que afeta a Bolívia já deixou 18 mortos e mais de 100 feridos. A situação preocupa os países da região, além das organizações multilaterais, que defendem uma solução pacífica à espera de uma reunião definitiva neste domingo entre governistas e opositores.

No entanto, a advertência dos prefeitos de que "se houver um só morto ou ferido a mais acontecerá o rompimiento de qualquer possibilidade de diálogo", como destacou o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, líder da oposição, faz temer pelo encontro no qual seriam estabelecidas as bases da pacificação.

Longe de apresentar sinais de reconciliação, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu no sábado aos movimentos sociais que defendam "o processo de mudança" que o governo estimula ou que "morram pela pátria" diante do que considerou de tentativas conspirativas da oposição, mobilizada em cinco regiões do país.

Diante da gravidade da situação boliviana, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirá na segunda-feira em Santiago para examinar a crise.

rb/fp

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