Dia Mundial do Coração defenderá redução do consumo de sal

Alicia Moreno. Redação Central, 27 set (EFE).- A Federação Mundial do Coração e a Organização Mundial da Saúde (OMS) querem que as pessoas deixem o saleiro um pouco de lado no Dia Mundial do Coração deste ano.

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Com o tema "Conheça seu Risco", as duas entidades comemoram neste domingo a 9ª edição do Dia Mundial do Coração.

A OMS calcula que as doenças cardiovasculares e o infarto causaram 17,5 milhões de mortes em 2005, e prevê que este número pode chegar a 20 milhões em 2015 se a população não tomar consciência de que, em grande parte, evitar esse problema depende de cada um.

Esse aumento é associado fundamentalmente a uma dieta pouco saudável (muito energética, salgada e pobre em frutas e verduras), ao sedentarismo e ao fumo, hábitos que cedo ou tarde acabam prejudicando a saúde.

Doenças crônicas como hipertensão, colesterol e glicose altos no sangue, excesso de peso e obesidade costumam ser o resultado desse estilo de vida.

Segundo a OMS, esses também são os principais fatores de risco responsáveis por pelo menos 80% das mortes causadas por doença cardiovascular e infarto.

Há alguns anos, essas doenças crônicas eram consideradas problemas próprios de países ricos, mas hoje também se transformaram nos principais fatores de risco nas nações em desenvolvimento.

Na América Latina e no Caribe, calcula-se que dois entre três óbitos têm sua origem em algumas dessas doenças, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que também prevê aumento de 17% nessa taxa nos próximos oito anos.

A enfermidade e a morte não são as únicas conseqüências das doenças crônicas, também as economias dos países são fortemente prejudicadas pela epidemia. É o caso de alguns países do Caribe, onde entre 5% e 8% do Produto Interno Bruto (PIB) já são investidos apenas no tratamento do diabetes e da hipertensão.

A campanha deste ano foca no controle da pressão arterial alta - hipertensão -, transtorno que, embora não apresente sintomas evidentes, provoca danos no coração e nas artérias. Felizmente, é de fácil detecção em uma simples consulta médica.

Com valores acima de 140/90 milímetros de mercúrio (mmHg) - comumente descrito como pressão 14 por 9 -, a probabilidade de sofrer uma doença cardiovascular ou infarto triplica em relação às pessoas com tensão arterial normal.

A hipertensão afeta atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, e calcula-se que até 2025 a incidência poderia chegar a 1,5 bilhão, segundo estudos publicados em 2007 pela Associação Americana do Coração.

Especialistas da OMS e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirmam que pequenas mudanças nos hábitos de alimentação podem reduzir a tensão arterial significativamente.

Por exemplo, eliminar da dieta diária 3 gramas de sal representaria uma queda de 20% nas mortes por infarto e mais de 15% nas mortes por doença cardiovascular.

A OMS recomenda a ingestão máxima de 5 gramas de sal por dia, o que equivale a aproximadamente uma colher de café.

O sal consumido em um dia não procede unicamente do saleiro, uma vez que 75% do sal que ingerimos já está presente na comida preparada que compramos.

Por isso, a Agência de Padronização de Alimentos britânica (Food Standards Agency) recomenda a presença da informação nutricional do rótulo dos alimentos e escolher, sempre que possível, o que tiver conteúdo de 0,3 grama de sal (ou 0,1 de sódio) ou menos para cada 100 gramas. EFE amc/wr/an

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