Dia dos Veteranos lembra aos EUA impasses sobre Iraque e Afeganistão

Washington, 11 nov (EFE).- Os Estados Unidos celebram hoje o Dia dos Veteranos de guerra, que encontra o país com duas frentes abertas, no Iraque e Afeganistão, e a possibilidade de um giro radical de estratégia com a mudança de ocupante na Casa Branca.

EFE |

O presidente eleito de EUA, Barack Obama, que assumirá o poder em 20 de janeiro e que deixou flores hoje no Bronze Soldiers Memorial, em Chicago, planeja retirar as unidades de combate do Iraque em 16 meses e intensificar a luta no Afeganistão, a onde enviaria novas unidades.

No total, há 24 milhões de veteranos no país. Deles, cerca de 1,7 milhões lutaram no Iraque e Afeganistão e um quinto sofre com problemas de estresse pós-traumático ou ansiedade.

Além disso, mais de 4 mil soldados perderam a vida desde a invasão do Iraque, em março de 2003.

Mães, mulheres e parentes dos mortos nessas e em outras guerras, como a do Vietnã, receberam hoje flores e outras oferendas nos diversos atos em homenagem aos veteranos em todo o país.

Prestes ao fim de seu segundo mandato, o presidente dos EUA, George W. Bush, viajou hoje de Washington a Nova York para participar de um ato em um dos píeres da cidade, onde está permanentemente estacionado o porta-aviões da Segunda Guerra Mundial Intrepid.

O porta-aviões, que sofreu uma remodelação com quase US$ 120 milhões de investimentos, retornou no mês passado ao porto nova-iorquino, onde foi usado como Museu do Ar, do Mar e do Espaço durante os últimos 24 anos.

Bush, que viajou para Nova York acompanhado de um veterano de cada seção das Forças Armadas, disse agradecer seu "compromisso" com o país.

O presidente celebrou rodeado por cerca de 2.500 veteranos o sacrifício de "homens e mulheres valentes" que, disse, "defenderam ao país no agora e no passado".

"Os veteranos me inspiraram. Fui educado por um veterano", assinalou Bush, em referência a seu pai, o ex-presidente George Bush, piloto na 2ª Guerra Mundial.

Sua presença em Nova York coincidiu com o desfile anual dos veteranos, assistido por 20 mil pessoas, segundo os organizadores.

Por sua parte, o vice-presidente Dick Cheney, participou de cerimônia no cemitério nacional de Arlington, na Virgínia, onde está enterrada grande parte dos mortos em combate, e onde depositou uma coroa sobre a tumba do soldado desconhecido.

"O dia dos Veteranos volta a nos encontrar em guerra", disse Cheney, afirmando que o conflito começou com "um ataque direto aos Estados Unidos", em 11 de setembro de 2001.

"Sete anos depois, a guerra segue, mas a batalha não retornou a solo americano", insistiu Cheney, afirmando que o país "é mais seguro" agora do que então.

"Além disso, somos (...) um povo livre, digno de nossa liberdade e decidido a defender este grande país fundado sob os olhos de Deus", concluiu.

Os Estados Unidos celebram o Dia dos Veteranos desde 11 de novembro de 1919, quando do presidente Woodrow Wilson decidiu comemorar o armistício que ocorreu nesse mesmo dia um ano antes, pondo um fim simbólico à 1ª Guerra Mundial.

Mais de 4 milhões de americanos serviram no conflito e, segundo Cheney, só um deles segue vivo, Frank Buckles, da Virgínia Ocidental, um veterano de 108 anos.

Os veteranos são um importante tema de discussão política e social no país, sobretudo diante da possibilidade de que um amplo contingente destacado no Iraque retorne em breve ao país.

Obama criticou durante a campanha o atual Governo por se concentrar demais no Iraque e prometeu retirar as tropas do país e destinar mais recursos ao Afeganistão.

Hoje mesmo, o jornal "The Washington Post" antecipou que o democrata estuda a possibilidade de iniciar uma estratégia mais regional para a guerra do Afeganistão, que inclui a possibilidade de dialogar com o Irã.

Obama quer concentrar seus esforços no Afeganistão e no vizinho Paquistão, refúgio de guerrilheiros Talibãs que lançam ataques contra as forças americanas baseadas no Afeganistão. EFE tb/jp

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