Dia do Trabalho é marcado por protestos ao redor do mundo

Capitais do mundo todo celebram nesta sexta-feira o Dia do Trabalho, tendo como pano de fundo a crise econômica que deixou milhões de desempregados e o temor da gripe A H1N1 (gripe suína).

Redação com agências internacionais |

Um dos primeiros protestos na Europa, que enfrenta a recessão mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, aconteceu durante a madrugada na Alemanha, nas cidades de Berlim e Hamburgo. Pelo menos 50 pessoas foram detidas após confrontos entre grupos de extrema esquerda, chamados "autônomos", e a polícia .

Cerca de 200 manifestantes gritando palavras de ordem anticapitalistas atiraram pedras e garrafas contra a tropa de choque da polícia alemã em Berlim. Já em Hamburgo, outros manifestantes quebraram a vitrine de um banco. Segundo a polícia, 48 agentes ficaram feridos no incêndio de cinco carros e de quatro banheiros químicos.

"Há pessoas nas ruas protestando pacificamente contra a crise econômica, e não há nada de errado com isso", disse o porta-voz policial Frank Miller a uma TV no bairro de Friedrichshain, no lado oriental, cenário de protestos especialmente conflituosos. "Mas quando as pessoas queimam carros e contêineres de lixo e cometem outros atos criminosos - isso não tem nada a ver com protestos políticos".

Mais tarde, milhares de pessoas se reuniram em diversos pontos da Alemanha para protestar, em calma, contra as demissões na maior economia da Europa, onde o governo prevê para 2009 uma recessão de 6%.

"Precisamos de uma ordem econômica que tenha como objetivo o bem-estar das pessoas e não para que os ricos fiquem mais ricos", afirmou Detlef Wetzel, presidente do poderoso sindicato metalúrgico alemão.

AP
Dia do Trabalho

Milhares de pessoas pedem solução para o desemprego na França

Mais conflitos pela Europa

Na França, milhares de pessoas compareceram à convocação conjunta das oito principais centrais sindicais do país para criticar a política econômica do presidente Nicolas Sarkozy. Como sinal da tensão social crescente, o país registrou nos últimos meses vários casos de executivos retidos por trabalhadores de empresas que haviam anunciado demissões ou fechamento.

Na Itália, os dirigentes dos principais sindicatos do país se reuniram em L'Aquila para manifestar a solidariedade dos trabalhadores com as vítimas do terremoto de 6 de abril, que matou 295 pessoas na região.

Em Viena, na Áustria, 100 mil pessoas convocadas pelo Partido Social Democrata Austríaco (SPÖ) pediram "igualdade fiscal". Já na cidade de Linz, mais de 20 pessoas ficaram feridas e cinco foram detidas em um confronto entre um grupo de encapuzados e a Polícia , durante uma manifestação convocada por grupos comunistas.

Segundo a emissora de televisão pública "ORF", entre 500 e 700 pessoas estavam reunidas na Praça Blumauerplatz após convocação do minoritário Partido Comunista da Áustria (KPÖ). Durante a passeata rumo à praça principal, Hauptplatz, quase 50 encapuzados que se negaram a tirar suas máscaras foram cercados pelos cerca de 100 policiais que vigiavam a manifestação, dando início ao confronto.

Manifestos na Turquia e Rússia

Em Istambul, no outro extremo da Europa, foram registrados choques entre e manifestantes e a polícia turca. Milhares de trabalhadores compareceram ao centro da cidade para protestar contra as autoridades. O 1º de maio voltou a ser feriado na Turquia depois de 30 anos.

Em Moscou, na Rússia, 2 mil simpatizantes do Partido Comunista se reuniram diante da estátua de Karl Marx com fotos de Lênin e bandeiras vermelhas . Grupos de extrema direita enfrentaram a polícia em São Petersburgo e quase 100 pessoas foram detidas.

Na capital russa, os discursos foram centrados na crise econômica mundial e na defesa da reinstauração do regime comunista, que acabou em 1991 com a dissolução da União Soviética.

Crise no México e em Taiwan

No México, o Dia do Trabalho é marcado pelo temor da gripe suína. O país é o epicentro da doença, que já deixou 11 mortos e pelo menos 300 casos confirmados. Os sindicatos se viram obrigados a suspender as manifestações, a pedido do governo, que pediu à população para permanecer em casa durante o fim de semana prolongado para evitar os contágios.

Na Ásia, Taiwan, sexta maior economia do continente, também foi cenário de manifestações a favor do emprego. A ilha nacionalista registrou em março um índice recorde de 5,8% de desemprego.

*com informações das agências AFP e Reuters

Protestos violentos marcam o Dia do Trabalho na Turquia; assista ao vídeo:

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