Dia do desacordo na Rússia para pedir renúncia de Putin

Dos liberais à extrema-esquerda, os opositores russos organizam sábado uma série de manifestações em Moscou e outras cidades russas, como parte de um dia do desacordo que apresenta como principal exigência a renúncia do primeiro-ministro Vladimir Putin.

AFP |

Os militantes contra o governo vão mudar de tática para evitar a violenta repressão que marcou as precedentes manifestações, explicaram os organizadores.

"Não vamos mais marcar um único encontro com policiais ferozes. Haverá vários protestos em diversos lugares do centro de Moscou, alguns autorizados e outros não", declarou à imprensa o escritor Eduard Limonov, líder do partido nacional bolchevique.

"Não queremos uma grande batalha, mas pequenos confrontos, aqui e ali", acrescentou.

O suspense paira sobre a participação do opositor Garry Kasparov, que não compareceu à última "marcha do desacordo", em 14 de dezembro.

"Anunciar a participação de Kasparov pode perturbar a ação", alertou Denis Bilunov, amigo do ex-campeão mundial de xadrez que se tornou um desafeto notório de Vladimir Putin.

Kasparov não estará na praça Triunfalnaya sábado às 14H00 (09H00 de Brasília), ao contrário de Eduard Limonov, que organiza neste lugar uma manifestação não auitorizada para mostrar que "não tem medo".

"Convocamos nossos partidários a se reunirem às 13H45 (08H45) na estação de metrô Rua 1905 e a aguardarem nossas instruções", declarou, por sua vez, outro opositor, Oleg Kozlovski, do movimento Oborona.

"Não podemos revelar onde e como vamos nos manifestar, para não alertar as autoridades", acrescentou.

No pior dos casos, eles terão a opção de se juntar a um protesto autorizado que acontecerá perto desta estação de metrô, organizado pela União dos oficiais soviéticos dirigida pelo general da reserva Alexei Fomin.

Agredido e detido durante a "marcha do desacordo" de 14 de dezembro, Fomin comparou o regime atual na Rússia ao "dos campos de concentração nazistas". Ele anunciou que seu movimento vai pedir "a libertação dos prisioneiros políticos".

Num momento em que a crise econômica está afetando cada vez mais a Rússia, o slogan da ação é deliberadamente político: "chegou a hora de mudar o poder".

"As exigências políticas são hoje mais importantes que as exigências econômicas", ressaltou Bilunov.

"Exigimos o direito de protestar, e a renúncia de Putin", declarou Limonov.

Uma manifestação não autorizada da oposição também está prevista sábado às 10H00 (05H00 de Brasília) em São Petersburgo, informou à AFP Olga Kurnosova, colaboradora de Kasparov.

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