María Luisa Gaspar Cannes (França), 19 mai (EFE) - O 6º Dia da Europa em Cannes contou hoje com uma figura muito especial, o cineasta português Manoel de Oliveira, que comemorou seu centenário na presença de seu compatriota, o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, e outras personalidades européias e internacionais.

Oliveira recebeu a Palma de Ouro pelo conjunto de sua carreira, que foi entregue pelo ator Michel Piccoli no Grande Teatro Lumiére de Cannes, onde o cineasta português foi ovacionado de pé em três ocasiões.

Antes, a comissária européia de Sociedade da Informação e Imprensa, Viviane Reding, Barroso e 13 ministros europeus de Cultura, assim como os responsáveis do Festival de Cannes e profissionais do setor refletiram sobre como reforçar a cooperação audiovisual com terceiros países.

Em comunicado, os ministros celebraram "o voto do Parlamento Europeu da ação preparatória Mídia Internacional (Media Mundus)", destinada a reforçar a cooperação audiovisual entre profissionais europeus e seus colegas de América Latina, Ásia e de países europeus que não fazem parte da União Européia (UE).

Para que o bloco favoreça este novo tipo de colaborações, os titulares de Cultura de Alemanha, Reino Unido, Itália e França, entre outras nações, estimularam a Comissão Européia a promovê-las e examinar "até o final do ano" uma proposta de programa em seu apoio.

O objetivo é que sejam sempre proveitosas para os participantes, "que todos ganhem", resumiu à Efe Viviane Reding.

Sobre o tema "construir um mundo de trocas", Barroso lembrou que é um desafio político "fundamental", pois propõe um diálogo "vital" no meio de uma imensa e até agora insólita oferta "de meios de informação e comunicação".

Contra toda forma de populismo, rejeição e intolerância, o presidente da CE evocou o "formidável poder" do cinema e ressaltou o valor do europeu, portador de "uma herança cultural européia" feita de séculos de criatividade, migrações e trocas.

Apesar disso, acrescentou, os filmes europeus "não têm ainda a ressonância que merecem" nos grandes e dinâmicos mercados cinematográficos da América Latina e da Ásia, pelo que ressaltou a necessidade de pensar em "uma estratégia de cooperação mais dinâmica com outros países e regiões do mundo".

Os desafios econômicos, jurídicos, tecnológicos e estratégicos de futuras cooperações com terceiros países "são múltiplos", mas, além de um "desafio", a globalização de serviços e mercados audiovisuais é também "uma ocasião extraordinária", ressaltou.

Reding, que, junto com o presidente do Festival, Gilles Jacob, e do delegado geral, Thierry Frémaux, está na origem do Dia da Europa em Cannes, lembrou à Efe o fato de que muito em breve se transformou "em uma parte do Festival", em um evento "integrado" a ele.

"Pensamos que é muito importante ter esta reunião em um lugar emblemático, onde todos os criadores e produtores do mundo do cinema se encontram", destacou Reding.

A importância da Europa no cinema é "palpável também nos 14 filmes" selecionados em alguma de suas seções oficiais ou paralelas do Festival de Cannes, que receberam este ano ajuda do programa MEDIA de apoio ao setor audiovisual europeu, acrescentou.

Até agora, em Cannes, foi analisado como desenvolver cinema na Europa, como fazê-lo viajar na Europa; "Desta vez vamos um pouco mais longe" e "devemos abrir nossas fronteiras", afirmou Reding.

Este foi o tema do 6º Dia da Europa, ver "como se pode trabalhar juntos, cineastas e produtores europeus com cineastas e produtores de outras partes do mundo, em uma troca recíproca, na qual todos saiam ganhando", destacou. EFE lg/db

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