Dezenas morrem durante protesto contra militares na Guiné

CONACRI - Dezenas de pessoas morreram nesta segunda-feira em Conacri, capital da Guiné, um país do oeste da África, durante um protesto de oposicionistas que foi reprimido pelas forças de segurança. Fontes médicas disseram que as vítimas fatais chegam a 58, enquanto um policial disse à agência AFP que 87 pessoas morreram.

Redação com agências internacionais |

AFP
Soldados prendem manifestante na Guiné

Soldados prendem manifestante na Guiné

Estima-se que cerca de 50 mil pessoas tenham participado da manifestação em Conacri, convocada para protestar contra possíveis planos do atual líder do país, Moussa Dadis Camara, de concorrer nas eleições presidenciais do ano que vem, rompendo assim uma promessa de não ser candidato.

O número de mortos não pôde ser confirmado de forma independente e o governo guineano não se pronunciou publicamente sobre a violência, mas um médico que trabalha em um hospital da capital disse à BBC que local estaria se parecendo a um "abatedouro".

Golpe

O capitão Dadis Camara tomou o poder na Guiné no ano passado, depois da morte do presidente Lansana Conté. No início, o golpe gozou de apoio popular, mas nas últimas semanas o país foi palco de inúmeros protestos contra o regime militar.

A manifestação desta segunda-feira ocorreu nas imediações do maior estádio da capital guineana, apesar de as autoridades terem proibido previamente a manifestação.

Nos choques que se seguiram, testemunhas disseram que a polícia disparou contra a multidão. Há relatos de que dois líderes da oposição teriam sido presos durante o conflito.

O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que há diversos carros queimados nas ruas e que o clima no local é "estranho e temeroso".

AFP
Policiais e manifestantes se enfrentam na Guiné

Policiais e manifestantes se enfrentam na Guiné


'Perpetuação'

O especialista em Guiné Gilles Yabi disse à BBC que o protesto não foi uma surpresa. "Esse é apenas o começo das manifestações que podemos esperar nos próximos meses", disse.

Segundo ele, caso Dadis Camara se candidate à Presidência, seria uma violação do acordo tácito entre as forças militares e civis que o mantém no poder.

Além disso, o especialista afirmou que a candidatura seria a perpetuação do cenário que Guiné tem vivido na última década e que os militares prometeram encerrar.

O governo do capitão Câmara tem sido caracterizado por demonstrações excêntricas de poder. Além disso, ex- assessores e autoridades foram acusadas de corrupção e envolvimento no tráfico de drogas, entre eles o filho do ex-presidente Lansana Conte.

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