Dezenas de milhares protestam contra líder da Guiné

Dezenas de pessoas podem ter morrido nesta segunda-feira na capital da Guiné, um país do oeste da África, durante um protesto de oposicionistas que foi reprimido pelas forças de segurança. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas tenham participado da manifestação em Conacri, convocada para protestar contra possíveis planos do atual líder do país, Moussa Dadis Camara, de concorrer nas eleições presidenciais do ano que vem, rompendo assim uma promessa de não ser candidato.

BBC Brasil |

Um médico que trabalha em um hospital da capital disse à BBC que 58 pessoas mortas foram levadas para o local, que estaria se parecendo a um "abatedouro".

Não foi possível confirmar a informação de forma independente, e o governo guineano não se pronunciou publicamente sobre a violência.

Golpe
O capitão Dadis Camara tomou o poder na Guiné no ano passado depois da morte do presidente Lansana Conté.

No início, o golpe gozou de apoio popular, mas nas últimas semanas o país foi palco de inúmeros protestos contra o regime militar.

O protesto desta segunda-feira ocorreu nas imediações do maior estádio da capital guineana apesar de as autoridades terem proibido previamente a manifestação.

Nos choques que se seguiram, testemunhas disseram que a polícia disparou contra a multidão.

Há relatos de que dois líderes da oposição teriam sido presos durante o conflito.

O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que há diversos carros queimados nas ruas e que o clima no local é "estranho e temeroso".

'Perpetuação'
O especialista em Guiné Gilles Yabi disse à BBC que o protesto não foi uma surpresa.

"Esse é apenas o começo das manifestações que podemos esperar nos próximos meses", disse.

Segundo ele, caso Dadis Camara se candidate à Presidência, seria uma violação do acordo tácito entre as forças militares e civis que o mantém no poder.

Além disso, o especialista afirmou que a candidatura seria a perpetuação do cenário que Guiné tem vivido na última década e que os militares prometeram encerrar.

O governo do capitão Câmara tem sido caracterizado por demonstrações excêntricas de poder. Além disso, ex- assessores e autoridades foram acusadas de corrupção e envolvimento no tráfico de drogas, entre eles o filho do ex-presidente Lansana Conte.

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