Dezenas de manifestantes são detidos em Teerã

Teerã, 21 jul (EFE).- A Polícia iraniana e a milícia islâmica Basij prenderam dezenas de pessoas que protestavam nas ruas de Teerã hoje e impediram concentrações nas principais praças da cidade, segundo fontes ligadas aos manifestantes.

EFE |

As principais praças do centro de Teerã tiveram uma forte presença policial hoje, depois que o "Movimento Verde" convocou seus seguidores para uma manifestação em todo o país, em memória à morte de Neda Aghasoltan.

Neda morreu há 30 dias, durante uma concentração em protesto contra os resultados das eleições do dia 12 de junho, que deram vitória ao atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, qualificados como "fraudulentos" pelos outros três candidatos.

Na Praça de Haft Tir, no centro de Teerã, as forças da Polícia e a milícia Basij encheram quase todas as calçadas da praça, de 25 mil metros quadrados, para impedir a presença de manifestantes.

"Há tantos policias que ninguém pode dizer nada", disse o funcionário de uma sapataria à Agência Efe, que afirmou que havia "três policiais por pessoa".

Às 20h (horário local) uma caravana de motocicletas se aproximou à praça, procedente da Rua Valiasr e da Enghelab onde, segundo informações dos manifestantes, houve enfrentamentos e prisões.

Paralelamente às manifestações, o "Movimento Verde" tinha pedido à população que apagasse todas as luzes durante cinco minutos, das 20h55 às 21h (horário local) e que depois ligasse todos os aparelhos de alto consumo para provocar cortes de luz em Teerã e no resto do país.

No entanto isto não ocorreu, pelo menos no noroeste da capital iraniana.

Na Praça de Enghelab, próxima à Universidade de Teerã, os policiais impediram a concentração de manifestantes, enquanto membros do grupo Basij, à paisana, caminhavam entre as pessoas.

Na Praça de Haft Tir, houve uma tentativa de manifestação à tarde, quando um grupo de aproximadamente 100 pessoas, a maioria mulheres, tentou descer pela rua, mas foi impedido pelas forças Basij e pela Polícia, que ocupou as calçadas com motocicletas.

As grandes cidades do Irã, especialmente Teerã, foram palco de manifestações na semana passada, depois que o Ministério do Interior iraniano, controlado pelos aliados de Ahmadinejad, confirmou sua vitória nas urnas.

As manifestações foram convocadas pelo chamado "Movimento Verde", dos partidários do ex-candidato Mir Houssein Moussavi, que pediu o cancelamento das eleições.

Moussavi recebeu o apoio do ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani e do ex-presidente reformista e atual chefe do conselho central do partido dos Clérigos Combatentes, Mohammad Khatami.

Rafsanjani disse, durante o sermão da sexta-feira, em Teerã, que o país está em crise e que as autoridades devem devolver a confiança ao povo para sair desta situação.

O clérigo iraniano pediu, além disso, a libertação dos detidos durante as manifestações das semanas passadas no Irã, que deixaram um saldo oficial, somente em Teerã, de 20 mortos e milhares de presos.

Khatami disse, no domingo, que é necessário realizar um plebiscito para legitimar o Governo do ultraconservador Ahmadinejad.

EFE msh/pd

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