Dez norte-americanos são presos no Haiti por tráfico de crianças

A polícia do Haiti prendeu dez cidadãos norte-americanos suspeitos do tráfico de 31 crianças com idades compreendidas entre dois meses e 12 anos, informaram as autoridades do país.

AFP |

Os cinco homens e cinco mulheres pertencentes a uma igreja batista foram detido perto da fronteira dominicana, na companhia das crianças, informou o ministro para Assuntos Sociais e Trabalho, Yves Christallin.

"Isso é um roubo, não uma adoção ", afirmou, enfatizando que, para uma criança deixar o Haiti, é necessária uma autorização do Instituto do Bem-Estar Social.

Segundo Christallin, dois pastores, um no Haiti e outro em Atlanta (sudeste dos Estados Unidos), estão igualmente envolvidos neste caso.

Os cidadãos americanos permanecem detidos na Direção Central da polícia judicial de Porto Príncipe, com dois cúmplices haitiano, informou o diretor-geral da polícia, Mario Andresol.

Uma investigação foi aberta para determinar em que circunstâncias os dez americanos conseguiram as crianças, que foram transferidas para um abrigo em Croix-des-Bouquets, norte de Porto Príncipe.

Em entrevista ao canal NBC, uma pessoa ligada aos norte-americanos indicou que o caso é um mal-entendido administrativo.

Os norte-americanos foram apresentados como membros de uma organização religiosa de caridade chamada "New Life Children's Refuge", com sede no estado de Idaho (noroeste dos Estados Unidos).

Várias crianças foram adotadas desde o terremoto de 12 de janeiro. As autoridades americanas pediram aos futuros pais adotivos de crianças haitianas que tenham paciência, pois são necessários procedimentos transparentes no processo de adoção para evitar erros e tráfico de crianças.

Por outro lado, o exército americano confirmou ter suspendido os voos de retirada dos haitianos gravemente feridos durante o terremoto enquanto aguarda uma decisão sobre quem se encarregará das despesas com o tratamento deles nos Estados Unidos.

"Cancelamos temporariamente esses voos de evacuação de haitianos, mas temos meios de retomá-los", afirmou o capitão Kevin Aandahl, porta-voz da Transcom, a unidade de gestão dos transportes do Pentágono, em correspondência enviada à AFP.

A informação corrobora uma notícia divulgada neste sábado pelo jornal The New York Times.

Citando fontes militares, o jornal informa que os voos militares com pessoas feridas na coluna, com queimaduras e outros ferimentos graves foram interrompidos na quarta-feira passada depois que o governador da Flórida, Charlie Crist, pediu apoio do governo federal para pagar pelos cuidados das vítimas do terremoto.

Até agora, os hospitais da Flórida trataram mais de 500 pessoas, incluindo um menino resgatado dos escombros com o crânio e várias costelas quebradas.

Os voos para outros estados que recebiam pacientes haitianos também foram suspensos.

O cancelamento poderá ser catastrófico para os pacientes, afirmou o dr. Berth Green, um dos fundadores do Projeto Medishare para o Haiti, uma organização sem fins lucrativos associada à Miller School of Medicine da Universidade de Miami, que realiza as retiradas de feridos.

Crist não especificou o quanto custa à Flórida o serviço médico dado, mas o número e a complexidade dos casos eleva a cifra a vários milhões de dólares, garantiu.

Este gasto não previsto acontece numa conjuntura economicamente complicada para a Flórida.

bur-cre/cn

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