Dez mil manifestam apoio ao golpe de Estado no Níger

Um total de 10.000 nigerinos se reuniram neste sábado em Niamey em uma manifestação de apoio aos militares que derrubaram na última quinta-feira o presidente Mamadou Tandja.

iG São Paulo |

"É uma manifestação de apoio ao golpe de Estado, o que celebramos é o fim da ditadura de Tandja", declarou o ex-deputado Soumana Sanda.

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Manifestantes apoiam o golpe nas ruas da capital

Os manifestantes, reunidos diante do Parlamento, no centro da cidade, responderam à convocação da Coordenação de Forças Democráticas pela República (CFDR), uma coalizão de oposição a Mamadou Tandja.

Na quinta-feira, militares golpistas derrubaram o presidente Tandja, que está no poder há 10 anos, suspenderam a Constituição de agosto de 2009 e declararam a dissolução do governo.

Os manifestantes exibiam cartazes com frases como "Viva o Exército nigerino" e "Sim à restauração da democracia", além de expressar apoio ao Conselho Supremo para a Restauração da Democracia, o nome oficial da junta militar golpista.

Mapa
Mapa

O país africano atravessa uma grave crise política desde que Tandja, cujo último mandato de cinco anos deveria ter sido concluído em dezembro, decidiu permanecer no poder, aprovando em agosto do ano passado uma nova Constituição que prolongava seu tempo na presidência.

O CFDR, que convocou a manifestação deste sábado, é uma coalizão de partidos políticos, organizações de defesa dos direitos humanos e de sindicatos, que se opôs firmemente à continuidade de Tandja no poder.

Alívio nas ruas da capital

Nas ruas de Niamey, o golpe de Estado foi recebido por muitos com um sentimento próximo ao alívio, tal foi a tensão política no país durante os últimos tempos.

Níger, um dos países mais pobres do mundo apesar de ser o terceiro produtor mundial de urânio, atravessa uma grave crise política desde que o presidente decidiu prolongar seu mandato.

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Mamadou Tandja
Tandja, presidente do Níger

Após dez anos no poder, Tandja, de 71 anos, dissolveu no ano passado o Parlamento e o Tribunal Constitucional e conquistou o aumento de seu mandato por pelo menos mais três anos em um referendo realizado em agosto.

O coronel Dikibrilla Hima Hamidou, comandante da unidade de elite militar do Níger e ex-membro de outro grupo responsável por um golpe de Estado em 1999, apareceu junto ao porta-voz que anunciou a tomada de poder.

Segundo informações, os militares golpistas prenderam Tandja em um local diferente de onde estão os ministros.

A França, que teve Níger como colônia até sua independência em 1960, pediu a seus cidadãos que não saiam às ruas. O gigante francês da energia nuclear Areva é o maior empregador privado no país.

*Com informações da BBC Brasil, Reuters, AFP e EFE

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