Antonio Martín Guirado Los Angeles (EUA), 14 mai (EFE).- Canções imortais, filmes inesquecíveis, momentos memoráveis e milhões de pessoas cativadas por uma voz única e inigualável, esse foi o legado deixado por Frank Sinatra, ícone da cultura americana, cuja morte completa hoje dez anos.

Nascido no dia 12 de dezembro de 1915, em Hoboken, um bairro de Nova Jersey, no seio de uma família de ascendência italiana, o "velho dos olhos azuis", título de um de seus discos, figura entre os artistas musicais mais importantes do século XX, em um duro embate com Elvis Presley, Bing Crosby ou The Beatles.

Durante sua carreira profissional, que durou mais de seis décadas, gravou dezenas de discos, plantou a semente do fenômeno "fã", obteve dez prêmios Grammy e dois Oscar de Hollywood: para melhor ator coadjuvante por "A um passo da eternidade" (1953) e outro, compartilhado, por sua participação no filme de denúncia social "The House I Live In" (1945).

Abandonou os estudos para se aventurar pelo caminho da música pelas mãos do trombonista Tommy Dorsey e sua banda, com quem gravou sua primeira parada de sucesso: "I'll Never Smile Again".

Decidiu trabalhar sozinho a partir de setembro de 1942, e após assinar com a Columbia Records, meses depois, atingiu a glória a partir de 1953, com a Capital Records, estúdio com o qual gravou 20 álbuns.

Essa frutífera relação, caracterizada pelo swing e pelas baladas, foi um passo para a maturidade do artista e para a criação do selo próprio "Reprise", que abriu caminho para muitos de seus amigos na profissão.

Canções como "My Way", que acabou odiando, "Strangers in the Night", "Something Stupid", cantada com sua filha Nancy, "New YorkNew York" ou "I've Got You Under My Skin" são alguns das canções que mais se destacam dentro de uma discografia que chega a dar vertigem.

Tanto ou mais, que sua história pessoal, regada com boas doses de Jack Daniels e que lhe rendeu quatro casamentos (Nancy Barbato, Ava Gardner, Mia Farrow e Barbara Max) e amizades convenientes - com Ronald Reagan ou John F. Kennedy - ou mais perigosas - com mafiosos Sam Giancana ou Lucky Luciano.

Uma vida cinematográfica que terminou aos 82 anos devido a um ataque do coração e que hoje, dez anos depois, é lembrada nos Estados Unidos com uma série de eventos.

Entre eles, destaca-se o lançamento de "Nothing but the Best", que inclui 22 canções e gravação ao vivo de uma hora realizada no Royal Albert Hall de Londres em 1971, e a venda de um novo selo em homenagem a Sinatra, com atos que serão realizados em três locais.

O primeiro será apresentado em Nova York por Alan Kessler, presidente do Conselho de Governadores do Serviço Postal dos EUA, que declarou em comunicado que o cantor foi "a primeira superestrela do entretenimento moderno" no país.

"Tinha encanto, talento, aptidões, criatividade, tenacidade e estilo", acrescentou Kessler, que será acompanhado hoje na celebração por Nancy e Frank Jr., filhos do artista, e o congressista democrata José Serrano, que aprendeu inglês graças às canções de Sinatra.

Em Las Vegas, a outra filha do cantor, Tina, dedicará o selo às fontes do hotel Bellagio, imortalizado na nova versão de "Ocean's Eleven" (2001), protagonizado na primeira versão por Sinatra em 1960 com Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford e Joey Bishop, os outros integrantes do "Rat Pack".

Frank Jr. viajará durante o dia até Hoboken para o auge das festividades.

A última vez que o público presenciou uma atuação ao vivo de Sinatra foi em fevereiro de 1995. Sua última canção foi "The Best is Yet to Come" ("O melhor ainda está por vir"), a mesma frase de seu epitáfio. EFE mg/bm/fb

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