Dez anos depois, Istambul não está preparada para outro grande terremoto

Istambul, 17 ago (EFE).- Em 1999 morreram mais de 17 mil pessoas vítimas de um grande terremoto que sacudiu a região do Mar de Mármara (noroeste da Turquia) e especialistas apontam que hoje, no décimo aniversário da tragédia, cidades como Istambul seguem sem estar preparadas para um sismo de grande magnitude.

EFE |

No dia 17 de agosto de 1999, às 3h02 da manhã, o terremoto de 7,4 graus na escala Richter durou apenas 45 segundos, mas foi o suficiente para deixar um rastro de destruição: 17.480 mortos, mais de 40 mil feridos, 329 mil edifícios destruídos e quase meio milhão de pessoas desabrigadas.

Em Degirmendere, os únicos edifícios que não sofreram nenhum dano foram os construídos pelo Exército, mostrando as péssimas condições em que se constroem casas e edifícios na Turquia.

Depois da catástrofe de 1999, mais de seis mil pessoas foram julgadas por negligências vinculadas ao terremoto, mas só uma, o construtor Veli Göçer, foi condenado à prisão.

Após haver cumprido cinco anos da pena de 18 anos, Göçer - em entrevista publicada hoje pelo diário "Habertürk" - acusa o Estado turco de ser, em parte, culpado das mortes, já que é a o Governo que aprova as construções e as leis que regem o setor.

Desde aquele grande terremoto, a Prefeitura de Istambul - onde milhares de pessoas ficaram desabrigadas - gastou cerca de 80 milhões de euros em estudos sobre os edifícios e sua adequação para resistir movimentos sísmicos de grande magnitude, segundo a revista "Newsweek Türkiye".

No entanto, especialistas como o professor de Engenharia Civil da Universidade do Bósforo Semih Tezcan, dizem que a metrópole turca "não está preparada para outro terremoto" apesar da região de Mármara ser a mais desenvolvida de toda Turquia.

"Em Istambul há um milhão de edifícios e só um 1% foi reforçado.

Há três mil escolas e só 250 foram reforçadas e há 635 hospitais públicos, dos quais apenas 10 estão preparados", explicou Tezcan em declarações ao jornal "Milliyet".

O maior temor dos moradores de Istambul é que se volte a produzir outro grande terremoto (uma de cada quatro pessoas que vivenciaram o terremoto de 1999 tem problemas para dormir ou sofre traumas psicológicos).

Além disso, nos últimos anos proliferam pseudo-cientistas e videntes que, em programas televisão sensacionalistas, anunciam a proximidade de um grande terremoto, com as empresas seguradoras aproveitando o medo da população para vender "pacotes anti-terremoto".

"Não haverá um terremoto em Istambul pelo menos até 2015. Se acontecer algum tremor antes disso seria uma enorme surpresa para o meio científico", opinou o presidente da Câmara de Engenheiros Geofísicos, Ahmet Ercan, em declarações ao "Habertürk".

O professor de Geofísica da Universidade Técnica de Istambul, Haluk Eyidogan, no entanto, alertou que a cidade do Bósforo tem que estar preparada a qualquer momento para qualquer coisa, já que "nos últimos 200 anos a região de Mármara sofreu 50 terremotos de uma magnitude maior a 6,5 graus".

Uma consequência positiva daquele terremoto - que um mês depois se registrou em Atenas - foi o espírito de solidariedade entre turcos e gregos, duas nações com muitas diferenças durante séculos.

Sociedade civil, ONGs e corpos de proteção civis se organizaram rapidamente e enviaram equipes de resgate gregas à Turquia, algo que mudou a percepção dos vizinhos.

Desde então, as relações entre os dois países se melhoraram e a cooperação aumentou consideravelmente. EFE amu/fk

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG