Dez anos depois, atentados de Moscou continuam sem explicação

A Rússia recordou nesta quarta-feira o décimo aniversário de seu setembro negro, uma série de atentados que deixou mais de 300 mortos e contribuiu para a chegada de Vladimir Putin ao poder, alimentando a tese - nunca confirmada - de um envolvimento dos serviços secretos.

AFP |

Dezenas de moscovitas acenderam velas perto do prédio residencial destruído no meio da madrugada por uma explosão que matou 92 pessoas. Vários outros atentados seguiram, em Moscou e no Cáucaso russo. Missas fúnebres também foram celebradas em diversas igrejas.

Atribuídos aos "terroristas chechenos", os ataques serviram de pretexto para a deflagração do segundo conflito russo-checheno, em outubro de 1999.

Vladimir Putin, ex-líder do FSB (ex-KGB) nomeado há pouco tempo primeiro-ministro, prometeu então "matar os terroristas onde quer que estejam, até no banheiro". Sua popularidade disparou, e ele foi eleito presidente no primeiro turno em março de 2000.

Em 2002, o oligarca Boris Berezovski e ex-agentes dos serviços secretos começaram a propagar a tese de que o FSB estaria por trás destes ataques.

Para o advogado das vítimas Mikhail Trepashkin, ex-coronel do FSB, a investigação não avançou em dez anos e "os responsáveis não foram punidos". Duas pessoas, simples executantes segundo Trepashkin, foram condenadas.

Alguns parentes de vítimas, como as irmãs Alina e Tatiana Morozova, cuja mãe faleceu no atentado de 9 de setembro de 1999, se recusam a aceitar a versão chechena.

Em carta aberta ao presidente, Dmitri Medvedev, elas pediram uma investigação "completa e independente".

Segundo uma pesquisa do instituto Vtsiom, próximo ao poder, 22% dos russos não descartam um envolvimento dos serviços secretos na série de ataques.

neo/yw

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