O governo do Haiti disse estar esperando ajuda internacional de emergência para socorrer os milhares de desabrigados pelos furacões Gustav e Hanna, que deixaram pelo menos 200 mortos, no momento em que se teme uma nova destruição, com a passagem do Ike pela ilha, nos próximos dias.

"O Haiti pediu, oficialmente, ajuda internacional", disse, nesta sexta-feira, a porta-voz em Genebra do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, acrescentando que "a ONU está preparando um apelo de emergência internacional" para arrecadar fundos.

A Cruz Vermelha francesa já lançou um chamado de emergência para ajudar as vítimas. A organização humanitária, que tem uma equipe no terreno, também agirá por meio de sua Plataforma de Intervenção nas Américas e no Caribe (Pirac) para ajudar as 25.000 famílias severamente atingidas.

Após a passagem do Hanna, no início da semana, o Haiti, um dos países mais pobres do mundo, com 70% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, esperava, nesta sexta, pela ameaça do quinto furacão da temporada, o Ike.

No último relatório do Centro Nacional de Furacões (NHC, sigla em inglês), com sede em Miami, o olho do Ike se situava, às 9h GMT (6h de Brasília), a 760 km ao noroeste das Pequenas Antilhas e avançava para o oeste-sudoeste, a 24 km/h.

A ilha poderá se manter a salvo do novo furacão, que deve se dirigir, nos próximos três dias, para Cuba e, depois, para as Bahamas, antes de alcançar o sul do estado da Flórida (sudeste), na quarta-feira, acrescentou o NHC.

Ainda assim, Ike continua sendo uma ameaça importante para o Haiti, que pode sofrer ventos poderosos e chuvas fortes.

Pelo menos 136 pessoas morreram na passagem do Hanna, sendo 102 no departamento de Artibonite (norte), cidade de Gonaïves que registra o maior número de vítimas, de acordo com dados da Defesa Civil haitiana.

Nessa temporada, o Haiti já sofreu com o furacão Gustav, que provocou a morte de 77 pessoas há oito dias, e com a tempestade tropical Fay, que deixou 40 vítimas há duas semanas.

Um navio da Marinha nacional francesa se dirigia hoje para o Haiti para participar dos trabalhos de socorro.

A embarcação transporta um helicóptero que poderá sobrevoar as zonas afetadas "com o objetivo de fazer um balanço da catástrofe e orientar a ajuda para as regiões mais atingidas", informou o Ministério francês das Relações Exteriores, que estima em 300.000 o número de deslocados, ou desabrigados, na zona de Gonaïves.

O governo espanhol também enviará quatro aviões carregados de ajuda humanitária para Cuba, Haiti e Jamaica.

eg/tt

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