Detidos em Gaza alegam terem sofrido maus-tratos de israelenses

Por Nidal al-Mughrabi BEIT LAHIYA, Faixa de Gaza (Reuters) - Mahmoud Ghabayen e seu irmão mais jovem, Hassan, contaram como foi seu interrogatório por um oficial israelense durante a guerra na Faixa de Gaza, fazendo a reconstituição da cena diante de jornalistas.

Reuters |

Mahmoud, 16 anos, amarrou as mãos de seu irmão de 15 anos às suas costas, usando um arame encontrado nos escombros da casa danificada de seu tio em Beit Lahiya, cidade no norte da Faixa de Gaza de onde militantes dispararam foguetes contra Israel.

Mandando Hassan se ajoelhar, Mahmoud ficou em pé diante dele e berrou: "E os foguetes? E os túneis?"

"Não sei de nada", respondeu Hassan.

Dando chutes em Hassan, Mahmoud repetiu suas palavras em tom de desdém: "Não sei de nada."

Vários grupos israelenses de defesa dos direitos humanos apresentaram uma queixa conjunta às autoridades judiciais militares e civis israelenses contra "as condições duras, desumanas e degradantes nas quais prisioneiros palestinos foram mantidos nos dias iniciais de seu encarceramento."

Soldados que entraram em Beit Lahiya durante a ofensiva israelense de 22 dias encontraram os irmãos Ghabayen e seus vizinhos escondidos debaixo de uma escada.

Mahmoud e Hassan contaram que foram obrigados a ficar do lado de fora da casa, nus, com seus rostos contra uma parede. As forças israelenses frequentemente mandam detentos tirarem as roupas, como precaução contra armas ou cintos explosivos escondidos.

"Eles nos bateram quando estávamos ali contra a parede e atiraram pedras em nós", disse Mahmoud.

Num relatório divulgado na semana passada, os grupos de defesa dos direitos disseram que registraram depoimentos de detidos que indicam que muitos deles, incluindo menores de idade, "foram mantidos por muitas horas, em alguns casos por dias, em poços cavados na terra, expostos ao frio tremendo e ao tempo inclemente, algemados e vendados".

Os grupos exigiram uma investigação independente.

Indagadas sobre o relatório, as forças armadas israelenses disseram que os detidos na Faixa de Gaza eram suspeitos "de envolvimento nos combates ou em atividades terroristas".

"Essas prisões foram feitas respeitando procedimentos claros que instruem as forças, entre outras coisas, a assegurar a dignidade e saúde dos detidos e que fossem mantidos em condições apropriadas", disse um comunicado militar, prometendo que as alegações contidas no relatório serão investigadas.

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