Detido Radovan Karadzic, o carrasco de Srebrenica

O ex-dirigente servo-bósnio Radovan Karadzic, acusado de genocídio e de crimes contra a humanidade, foi detido pelos serviços de segurança sérvios, anunciaram nesta segunda-feira os assessores do presidente sérvio, Boris Tadic.

AFP |

Karadzic foi o chefe político da República Srpska, a entidade servo-bósnia durante a guerra dos Bálcãs.

"Os serviços de segurança sérvios localizaram e prenderam Radovan Karadzic na noite desta segunda-feira", afirmou por e-mail a assessoria da presidência sérvia.

"Karadzic foi enviado ao procurador do tribunal para os crimes de guerra, em Belgrado, conforme o acordo assinado com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII)", acrescentou.

O procurador do TPI para a ex-Iugoslávia, Serge Brammertz, confirmou em um comunicado a detenção de Karadzic, foragido há quase 13 anos.

"O procurador Serge Brammertz saúda a detenção de Radovan Karadzic", diz o comunicado do TPI.

Karadzic e seu braço direito militar Ratko Mladic, ainda foragido, são considerados os principais responsáveis pelo genocídio de Srebrenica, na Bósnia, que matou quase 8.000 pessoas em 1995. Trata-se do pior massacre cometido na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ele também era procurado por seu papel no cerco a Sarajevo, que durou 43 meses e no qual morreram 10 mil civis.

A Casa Branca elogiou o governo da Sérvia pela captura de Karadzic, estimando que a prisão é a mais "bela homenagem" às vítimas das atrocidades cometidas.

"Felicitamos o governo da Sérvia e agradecemos aos que conduziram essa operação por seu profissionalismo e por sua coragem. O momento da prisão, apenas alguns dias após o aniversário do massacre de mais de 7 mil bósnios em Srebrenica, é particularmente apropriado, e não pode haver mais bela homenagem às vítimas das atrocidades do que levar seus autores à Justiça".

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, qualificou a prisão de "uma notícia extraordinária para todos os amantes da justiça", para todos "os que acreditam que há uma justiça internacional, para todos os que acreditam que nenhum genocida ficará impune (...)".

"Aí está um acontecimento que aproxima, evidentemente, a Sérvia da União Européia", comentou Kouchner.

A presidência francesa da União Européia (UE) também saudou a prisão de Karadzic como uma "etapa importante" para a Sérvia no caminho da integração à UE.

"Essa evolução ilustra o compromisso do novo governo de Belgrado de contribuir para a paz e para a estabilidade na região dos Bálcãs. Trata-se de uma importante etapa no caminho da aproximação entre Sérvia e União Européia".

Considerado um monstro pelos croatas e pelos muçulmanos da Bósnia, para os sérvios, ele continua a ser um herói da guerra que dilacerou a Bósnia, de 1992-1995, após a proclamação de sua independência.

Radovan Karadzic não ofereceu qualquer resistência e estava claramente deprimido, disse uma fonte ligada aos serviços secretos sérvios à AFP, acrescentando que o ex-dirigente foi levado para uma prisão de Belgrado.

Em uma nota, citada pela agência Beta, o Ministério sérvio do Interior revelou que "os membros do ministério não participaram da prisão de Radovan Karadzic".

O TPI ainda procura dois fugitivos sérvios: Ratko Mladic e o ex-líder dos sérvios na Croácia Goran Hadzic.

an/yw/LR/tt

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