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Detenção de Karadzic acaba com problemas de sósia do Açougueiro dos Bálcãs

Sarajevo, 27 jul (EFE).- A detenção do criminoso de guerra Radovan Karadzic encerrou os vários problemas de Cvjetan Gavric, conhecido na Bósnia como o sósia do ex-líder servo-bósnio pela impressionante semelhança física entre ambos.

EFE |

Este homem de 62 anos - um a menos que Karadzic -, de supercílios espessos e cabelo revolto, foi detido inúmeras vezes em operações realizadas por soldados das forças multinacionais na Bósnia, que tinham a incumbência de deter o ex-líder caso encontrassem com ele.

"Bom, é o trabalho deles. Estão aqui para nos controlar. Há anos me detêm para verem os documentos. Na primeira vez foram os soldados italianos em 1997, na localidade de Trnava, quando viajava com minha mulher", conta Gavric ao semanário bósnio "Slobodna Bosna".

"No ano seguinte, em 1998, durante uma ampla operação em Zvornik e Kozluk (leste), novamente me detiveram. Depois em Ugljevik e assim seguiu até hoje", declarou.

Segundo Gavric, a detenção em Ugljevik "foi a mais séria de todas".

"Nas proximidades da usina termoelétrica, soldados americanos me prepararam uma autêntica emboscada, me cercaram com seus veículos blindados. Bloquearam o caminho e me tiraram do carro no qual estava", conta.

"Olharam para mim, olharam novamente e depois de meia hora me deixaram seguir viagem", acrescenta.

Ele diz que não tinha medo de ser detido por erro, embora afirme que também não era indiferente a tudo, pois, por sua semelhança com Karadzic, o "reconheciam" e "observavam" com curiosidade e atenção também em suas viagens ao exterior.

"Quando estive na Suíça costumava sair com freqüência para passear. Em um restaurante um suíço sentado em uma mesa próxima à minha não deixava de concentrar seu olhar em mim", declarou Gavric.

Na volta desta viagem, ao entrar no avião escutou atrás de si alguém gritando: "Aqui está nosso irmão Karadzic".

Depois, esta pessoa disse a ele pessoalmente: "Perseguem você em Foca (leste da Bósnia) e você no aeroporto de Zurique. Raso (apelido do nome Radovan), te felicito!".

"Em Belgrado também ouvi pessoas dizendo 'Olha pra ele', ou 'Raso, irmão', estou acostumado a tais coisas", afirmou.

Karadzic, ex-presidente servo-bósnio, foi detido na última segunda pelo serviço secreto sérvio nos arredores de Belgrado, onde vivia e trabalhava usando uma identidade falsa.

Ele é acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) de genocídio pelos massacres de Srebrenica e durante o cerco de Sarajevo nos três anos e meio (1992-1995) da guerra da Bósnia, entre outras acusações de crimes de guerra e contra a humanidade.

Até 1991, Gavric trabalhou durante 13 anos como motorista em uma fábrica de móveis de Zagreb.

Quando começou a guerra, em 1992, vestiu o uniforme de camuflagem e se uniu às tropas servo-bósnias, onde foi motorista de veículos e caminhões que transportavam combustíveis para calefação.

Na guerra perdeu um filho e foi ferido com gravidade em uma ocasião. Além disso, ficou sem um rim e meio estômago, e durante três meses os médicos do hospital militar de Belgrado lutaram por sua vida.

"Todos me chamavam de Karadzic durante a guerra. Os outros com freqüência me sugeriam que vestisse a camisa branca e a gravata e que fosse à primeira linha da frente para animar os soldados", lembra.

Algumas personalidades de biografias interessantes ou importantes tinham seu sósia, que aparecia em público em seu lugar em situações delicadas.

Entretanto, Gavric rejeita qualquer possibilidade de que tenha sido usado como guarda-costas de Karadzic em qualquer ocasião.

"Nunca e ninguém vinculado a Karadzic tinha me oferecido algo pelo estilo. Por fim, que cada um responda por seus atos", diz.

Embora sempre tenha viajado bastante, nunca em sua vida ele se encontrou com Karadzic.

"Nunca tive esta oportunidade. Quando ele visitou Lopare (cidade próxima à aldeia em que Gavric vive), eu não estava, e lamentei muito. Gostaria de saber o que ele diria ao me ver", concluiu. EFE nh/ab/fal

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