Detenção de jornalista iraniano em Roma é ato mafioso, diz Irã

Teerã, 6 mar (EFE).- Membros do Governo do Irã acusaram hoje a Itália de agir como a máfia na detenção esta semana de nove cidadãos iranianos acusados de tráfico de armas, entre eles um jornalista da televisão estatal, e advertiram que podem tomar medidas recíprocas.

EFE |

"A detenção do jornalista da televisão estatal acusado de tráfico de armas é deplorável do ponto de vista do jornalismo e uma politização do fato", afirmou hoje o ex-embaixador do Irã na Itália, Abolfazl Zohrehvand.

"A decisão do Governo italiano faz parte de um roteiro escrito em cooperação com o regime sionista e outras potências estrangeiras, em particular os Estados Unidos", acrescentou.

O jornalista Hamid Masouminejad, correspondente da televisão estatal iraniana em Roma há 15 anos, foi detido nesta semana junto com cinco cidadãos italianos e nove iranianos.

Poucas horas depois da divulgação da detenção, o Ministério de Assuntos Exteriores do Irã convocou o embaixador da Itália em Teerã, Alberto Baldoni, para fazer um protesto formal.

Zohrehvand afirmou que a decisão do Governo italiano é "absurda" e deu a entender que poderia afetar de forma negativa as relações comerciais entre os dois países.

Na mesma linha se expressou a associação de jornalistas iranianos, para quem se trata de uma "ação ao estilo da máfia, que demonstra como esta organização se infiltrou no Executivo italiano".

"A detenção de Masouminejad não é outra coisa a não ser uma encenação mafiosa, promovida por Israel e EUAs para impedir que o Irã enriqueça urânio", afirmou o presidente da citada organização, Abbas Darvish-Tavangar, em comunicado divulgado ontem à noite.

"Em um recente encontro com líderes israelenses, (o primeiro-ministro italiano, Silvio) Berlusconi, prometeu aumentar a pressão sobre o Irã por seu programa nuclear. Inclusive foi além ao dizer que utilizaria todos os meios para frear o enriquecimento", argumentou.

Darvish-Tavangar considerou a detenção de Masouminejad como "meramente política, completamente imoral e uma flagrante violação dos direitos humanos".

"Seu crime é ter informado sobre as manifestações nas quais milhões de italianos protestaram contra as políticas de seu Governo.

Seu crime é ter revelado a natureza corrupta do Governo de Berlusconi, sua políticas racistas e xenófobas", acrescentou.

O vice-ministro de Cultura e Orientação Islâmica do Irã, Mohamad Ali Ramin, advertiu hoje que seu país pode responder à ação de forma similar.

"Se o Executivo italiano quer ameaçar nossos colegas da imprensa para cumprir com os cruéis desejos dos EUA, do Reino Unido e de Israel, haverá um efeito recíproco por parte do Governo do Irã", afirmou Ramin, citado pela televisão estatal. EFE jm/bba

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