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Desvalorização do real preocupa indústria argentina, diz La Nación

A desvalorização do real frente ao dólar poderá ter um impacto negativo na economia argentina ao facilitar a entrada de produtos brasileiros no país vizinho, prejudicando setores da indústria local, segundo uma reportagem do jornal La Nación, publicada nesta quarta-feira. A reportagem traz declarações de um economista e representantes empresariais dizendo que os setores mais afetados serão o têxtil, o de brinquedos e o de couro.

BBC Brasil |

"A desvalorização (do real) não apenas dificultará a chegada de produtos argentinos ao Brasil, mas também gerará maiores saldos de exportação da indústria brasileira, diante do que os setores mais afetados por aqui são o têxtil, o de brinquedos e o de couro", disse Mauricio Claveri, economista do Abeceb.com ao La Nación.

De acordo com o La Nación, a lista dos setores afetados seria encabeçada pelo têxtil.

"Hoje, é prematuro saber o que pode acontecer e é preciso esperar que a situação se acalme, mas está igualmente claro que se a desvalorização for mantida, o comércio bilateral com o Brasil pode voltar a se complicar", disse Pedro Bergaglio, presidente da Fundación Pro Tejer ao La Nación.

Outro setor que poderia ser afetado, segundo o jornal, é o do couro.

O presidente da Cámara Industrial de las Manufacturas del Cuero (CIMA), Raúl Zylberstein, afirma, na reportagem, que o prejuízo pode ser maior para os fabricantes de artigos como carteiras ou malas.

"Hoje, 50% do gasto dos turistas brasileiros na Argentina correspondem a artigos de couro", afirmou Zylberstein ao jornal.

Por outro lado, a reportagem afirma que os argentinos têm um "motivo de consolo", já que "as praias brasileiras voltarão a ser mais acessíveis aos consumidores (argentinos) que sobreviverem aos efeitos da inflação e da crise financeira."
'Luz amarela'
Em uma outra reportagem, o La Nación afirma que fontes ligadas a Néstor Kirchner disseram que o ex-presidente teria admitido sua preocupação frente à desvalorização do real.

Segundo a reportagem, a situação no Brasil teria enviado uma 'luz amarela' ao país vizinho, já que um Brasil mais competitivo para exportar "representa uma dificuldade dupla para a Argentina: gera pressão por parte da produção brasileira sobre o mercado local e limita as exportações nacionais ao Brasil".

Os efeitos da desvalorização do real também foram analisados por uma comissão formada pelo governo argentino para acompanhar a crise financeira.

Na terça-feira, o presidente do Banco Central argentino, Martín Redrado, que faz parte da comissão, descartou uma possível intervenção no mercado de câmbio para levar o peso a "acompanhar" a desvalorização do real.

Segundo uma reportagem do Página 12 sobre o assunto, a comissão concluiu que uma eventual desvalorização do peso frente ao dólar faria com que o "remédio fosse pior do que a doença".

Um dos integrantes da comissão disse ao jornal que a desvalorização do real no Brasil "passa quase despercebida", enquanto que, na Argentina, uma ação do governo nesse sentido causaria "desespero" e passaria a ser "um tema mais social do que econômico".

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