Destruição da Al Qaeda é o centro da nova estratégia dos EUA no Afeganistão

Washington, 27 mar (EFE).- A destruição da Al Qaeda, após sete anos de guerra, será o eixo da nova estratégia dos Estados Unidos para o Afeganistão, para onde mais tropas e funcionários civis serão enviadas, afirmou hoje o presidente americano, Barack Obama.

EFE |

Obama apresentou hoje a esperada revisão estratégica para Afeganistão em um ato no Edifício Executivo da Casa Branca, no qual estiveram presentes, entre outros, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton; o secretário de Defesa americano, Robert Gates; e o chefe do Comando Central do país, o general David Petraeus.

"A situação é cada vez mais perigosa" no Afeganistão, declarou o presidente americano, explicando que "diversas avaliações de inteligência advertiram que a rede terrorista Al Qaeda planeja atentados contra os EUA desde seu refúgio no Paquistão".

Segundo Obama, que ordenou a revisão estratégica imediatamente após sua chegada à Casa Branca há dois meses, "a segurança de todo o mundo está em jogo".

O presidente americano disse que a nova estratégia será "mais firme, mais inteligente e exaustiva" e terá como meta "desativar, desmantelar e derrotar a Al Qaeda no Paquistão e no Afeganistão e impedir seu retorno a qualquer um desses países no futuro".

O plano envolve ajuda econômica e cooperação internacional, além de aspectos militares e civis.

No âmbito militar, haverá o incentivo ao treinamento das forças de segurança afegãs. O objetivo é que elas passem a contar com 134 mil soldados e 82 mil policiais.

Para isso, os EUA enviarão um contingente adicional de quatro mil soldados possivelmente em junho, os quais terão como missão formar e assessorar as novas forças de segurança.

Estas tropas se somarão ao reforço já anunciado de 17 mil soldados americanos que chegarão gradualmente ao Afeganistão nos próximos meses, aumentando o contingente dos EUA no país para 57 mil militares.

Além disso, os EUA enviarão mais civis - especialistas em agricultura, engenheiros e educadores, entre outros - para "melhorar a segurança, a oportunidade e a justiça", não só na capital Cabul, mas também no resto do território afegão, afirmou o presidente americano.

Segundo Obama, o Afeganistão "conta com um Governo eleito, mas que está minado pela corrupção e tem dificuldades em fornecer serviços básicos a sua gente. A economia está prejudicada pela explosão do tráfico de drogas que incentiva a criminalidade e financia os insurgentes".

O plano também diz respeito ao Paquistão porque, para o presidente dos EUA, "o futuro do Afeganistão está ligado de maneira indissociável ao de seu vizinho".

Assim, Obama quer aumentar a ajuda ao Paquistão, a qual estará condicionada ao aumento dos esforços do país na luta contra os insurgentes e ao respeito às autoridades democráticas.

O chefe de Estado americano pretende triplicar a ajuda anual ao Paquistão, chegando a US$ 1,5 bilhão por ano.

Para medir o progresso conseguido e garantir que não insistirá "em manter o mesmo caminho em vão", o presidente dos EUA prometeu que serão estabelecidos parâmetros que avaliarão as conquistas no treinamento das tropas afegãs, o crescimento da economia do Afeganistão e o progresso na luta contra os insurgentes.

O Governo americano também "pedirá aos outros que cumpram sua parte" e, na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na próxima semana, solicitará "não simplesmente tropas, mas capacidades definidas claramente: o apoio às eleições afegãs, o treinamento das forças afegãs e um maior compromisso civil com o povo afegão".

Obama anunciou também um novo grupo de contato, junto à ONU, para o Afeganistão e o Paquistão que incluirá os aliados da Otan, os Estados da Ásia Central, os países do Golfo, Irã, Rússia, Índia e China.

"Nenhum desses países se beneficia da existência de uma base para os terroristas da Al Qaeda e que a região caia no caos. Todos se beneficiam com a promessa de uma paz duradoura, de segurança e de desenvolvimento", disse. EFE mv/bba

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