Centenário do naufrágio permite que restos do transatlântico sejam beneficiados por proteção de agência cultural da ONU

Os destroços do Titanic , transatlântico que naufragou no Atlântico no dia 15 de abril de 1912 após se chocar contra um iceberg, serão protegidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), afirmou a entidade nesta quinta-feira.

"Após cem anos do naufrágio, os destroços estão agora protegidos pela Convenção da Unesco para a proteção do patrimônio cultural subaquático", comunicou a organização. Os restos do Titanic estão a quase 4 mil metros de profundidade nas proximidades do litoral de Terra Nova e "nenhum Estado pode reivindicar a jurisdição exclusiva do local", disse a nota divulgada pela Unesco.

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A proa do Titanic, navio que naufragou em 15 de abril de 1912, após colisão com iceberg
AP
A proa do Titanic, navio que naufragou em 15 de abril de 1912, após colisão com iceberg

"Até agora o Titanic não podia ser beneficiado pela proteção da Convenção, adotada pela Unesco em 2001, já que esta só pode ser aplicada aos vestígios submersos há pelo menos um século. A partir de agora, os Estados que fazem parte da Convenção poderão proibir a destruição, a pilhagem, a venda e a dispersão de objetos encontrados no Titanic", acrescentou.

A Convenção de 2001 representa um marco de cooperação aos Estados para impedir explorações cujo caráter científico ou ético seja duvidoso. A partir dela, podem ser confiscados os objetos tirados ilegalmente da água e os portos podem ser fechados a qualquer navio que realize atividades de prospecção que não sigam os princípios da Convenção.

A Diretora Geral da Unesco, Irina Bokova, expressou sua satisfação pelo fato de que o Titanic esteja agora protegido pela Convenção e manifestou sua inquietação "frente à destruição e a pilhagem que vários destroços antigos sofrem, algo que as tecnologias, cada vez mais sofisticadas, tornam possível".

"O naufrágio do Titanic está ancorado na memória da humanidade. Me alegro de que o local possa ser beneficiado pela Convenção da Unesco", declarou Bokova. "Mas existem milhares de destroços e sítios arqueológicos cujo valor científico também é preciso proteger. Eles também contêm a memória de tragédias humanas e devem ser tratados com o devido respeito", acrescentou.

"Temos que proteger os tesouros submersos da mesma forma que não toleramos a pilhagem do patrimônio cultural terrestre", declarou a diretora geral, que pediu aos mergulhadores que "não depositem detritos nem placas comemorativas" nos destroços do Titanic.

A Convenção tem como objetivo proteger os destroços, os sítios arqueológicos, as grutas ornamentais e outros vestígios culturais que estão sob as águas. Trata-se da resposta da comunidade internacional à crescente destruição do patrimônio subaquático nas mãos de caçadores de tesouros, destacou a Unesco.

Até agora, 41 Estados ratificaram a Convenção, que entrou em vigor em 2 de janeiro de 2009.

Com EFE

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