Destituição de ministra chilena representa duro golpe para Bachelet

A destituição da ministra de Educação Yasna Provoste - o primeiro ato deste tipo no país em 35 anos - é um duro golpe para a presidente socialista Michelle Bachelet, que vê neste caso uma prova da força de um Congresso dominado pela oposição desde o final de 2007.

AFP |

Provoste foi destituída ontem pelo Senado por falhas administrativas e não poderá exercer cargos públicos por cinco anos.

De acordo com analistas, quem sai perdendo nessa história é a presidente Bachelet, por ter sido derrotada no Congresso e por não ter obrigado que a ministra renunciasse para evitar a destituição.

Bachelet, que chegou quarta-feira de uma viagem à China, apoiou a ex-ministra vendo que "prevaleceu neste caso a vontade de fazer uma demonstração de força política acima de qualquer consideração".

"Farei o possível para que esta decisão do Senado não se transforme em um mal precedente", avisou.

Nesta quinta-feira também criticou a "beligerância política" e pediu que esta não atrapalhe "tudo o que foi construído na democracia".

O partido do governo perdeu a maioria no Congresso no final de 2007, quando vários membros se declararam independentes, e a destituição da ministra se converteu no primeiro episódio após o realinhamento de forças.

O analista Patricio Navia afirma que este novo cenário não muda substancialmente a já frágil posição de Bachelet mas que é mais uma conseqüência de sua incapacidade para governar.

Bachelet "está na mesma posição frágil de antes. Os problemas não são do Congresso, ou da oposição, que agora é maioria, mas sim da má administração e dos erros de Bachelet", explicou à AFP.

"A perda da maioria no Congresso é mais um sintoma do problema do que o problema em si", afirmou.

Para Navia, a mais prejudicada nesta "tragédia grega" é a própria Bachelet que, ao invés de pedir que a ministra renunciasse quando o escândalo surgiu em fevereiro, decidiu apoiá-la em uma "batalha inútil".

Por outro lado, o analista Anscanio Cavallo indicou que "se existe alguma dimensão de 'sacrifício' na destituição de Yasna Provoste, seria o castigo ao orgulho do Executivo e o não reconhecimento da nova realidade que o Congresso enfrenta".

A analista Ena von Naer, do centro de estudos do Instituto Liberdade e Desenvolvimento, ligado à direita, disse que esta é a primeira destituição de um ministro de Estado desde a volta da democracia, o que representa um forte sinal do atual momento de fragilidade".

A presidente deve buscar acordos com essa nova maioria parlamentar para levar adiante os projetos que restam para os próximos dois anos de governo no Chile, indicaram analistas.

A última destituição de um ministro foi em 1973 quando o Congresso acusou e destituiu o então ministro de Mineração do presidente socialista Salvador Allende, Sérgio Bitar.

A acusação contra Provoste foi aprovada no Senado por 20 votos contra 18.

Dos cinco capítulos da acusação, o Senado somente aprovou um referente à "não correção de graves infrações e irregularidades" no interior do ministério, depois que foram descobertas em fevereiro desordens na entrega das subvenções escolares.

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