Desmond Tutu sugere que Obama se desculpe por guerra no Iraque

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu alertou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para os riscos de que seja desperdiçada a boa vontade que, segundo Tutu, foi gerada pela eleição do novo líder americano. Em um artigo para a BBC, o líder espiritual e símbolo da luta contra o Apartheid disse que seria maravilhoso se Obama se desculpasse pela invasão do Iraque.

BBC Brasil |

Ganhador de um Prêmio Nobel da Paz, Tutu lembrou as efusivas manifestações de apoio que sucederam os atentados de 11 de setembro e de quão rápido todo aquele sentimento desapareceu após o surgimento das alegações de abusos contra prisioneiros em Abu Ghraib
e em Guantánamo.

"Obama pode, também, desperdiçar facilmente a boa vontade que sua eleição gerou se ele decepcionar", escreveu. "Seria maravilhoso se o presidente dos Estados Unidos pudesse se desculpar, em nome do povo americano, pela invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos".

No texto, ao ressaltar o "papel inspirador" dos Estados Unidos durante a luta contra o Apartheid, o veterano militante pela conciliação diz ainda que reza para que Obama seja duro com ditadores africanos.

No artigo exclusivo para a BBC, baseado em uma palestra que ele apresenta nesta quinta-feira, em Londres, como parte das celebrações dos 75 anos do Conselho Britânico, o ex-arcebispo da Cidade do Cabo falou de sua alegria em assistir à divulgação dos resultados da eleição nos Estados Unidos.

"Eu queria pular e dançar e gritar, como fiz após votar pela primeira vez na minha nativa África do Sul em 27 de abril de 1994", disse Tutu.

O arcebispo descreveu a eleição de Obama como um "evento definidor de uma época, que encheu o mundo com esperança de que uma mudança é possível".

Tutu também pediu que o presidente e a secretária de Estado do país, Hillary Clinton, adotem rapidamente medidas para estender a mão a outros países, construir pontes com eles e ouvir o que dizem.

O arcebispo disse que a eleição em novembro virou a imagem dos Estados Unidos de cabeça para baixo após o que, segundo Tutu, foram sete magros anos para aqueles que olhavam para o país em busca de inspiração.

"O governo Bush conseguiu irritar pessoas por toda a parte", afirmou. "Sua atitude de intimidação polarizou tristemente o nosso mundo."
Mas Desmond Tutu também criticou o papel do governo britânico na chamada guerra contra o terror.

Ele disse que a estatura da Grã-Bretanha no mundo foi prejudicada como resultado de sua cooperação próxima com os Estados Unidos.

Na opinião do arcebispo, falta à Grã-Bretanha o que ele chamou de "redentor fator Obama" para restaurar a imagem do país no exterior.

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