Desmatamento e pobreza deixam o Haiti vulnerável às inclemências do tempo

Os danos materiais e humanos causados pelos furacões no Haiti podem até ser produtos dos caprichos da natureza, mas também estão relacionados com o grande desmatamento do país e a extrema pobreza de seus habitantes.

AFP |

O Haiti, cuja extensão de vegetação é avaliada em menos de 2%, sofreu em três semanas um número igual de furacões, Gustav, Hanna e Ike, cujas chuvas ocasionaram inundações que provocaram uma desvatação que não compara, por exemplo, com os danos registrados na vizinha República Dominicana.

Mais de 600 pessoas morreram no Haiti, um milhão foram afetadas, plantações agrícolas foram arrasadas e estradas e pontes destruídas, segundo fontes nacionais e internacionais.

No país mais pobre do continente americano, onde 70% da população vive com menos de dois dólares por dia, a grande maioria das famílias utiliza o carvão vegetal para cozinhar.

"Há uma verdadeira urgência, é preciso tomar medidas para frear a degradação do meio ambiente no Haiti", declarou à AFP o representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Haiti, o francês Joel Boutroue.

Segundo ele, a destruição das florestas contribui para tornar o país mais vulnerável às inclemências do tempo e, ao mesmo tempo, aumenta a pobreza no Haiti.

Para o ministro haitiano de Meio Ambiente, Jean-Marie Claude Germain, a ausência de uma verdadeira política ambiental contribui para essa vulnerabilidade do Haiti. Segundo ele, o problema remonta à independência do país no início do século XIX.

"Há séculos praticamos uma agricultura de montanha relacionada com as condições nas quais o Haiti obteve sua independência. Esta prática tornou o país ainda mais frágil", analisou.

O corte sistemático de madeira que se pratica para a produção de carvão vegetal assim como o utilizado em outras atividades é um fator importante na degradação do meio ambiente no Haiti.

"Na vizinha República Dominicana, onde há aproximadamente 30% de extensão vegetal, era o exército que se ocupava até bem pouco tempo desse setor, ao contrário do Haiti, onde não existe política ambiental", destacou o ministro haitiano.

Outros fatores da vulnerabilidade de Haiti: a configuração topográfica do país e sua posição geográfica.

Com 80% das estruturas montanhosas, o país recebe as ameaças de todos os grupos de ciclones, afirma o meteorologista Ronald Semelfort.

Boutroue pediu ao governo haitiano e aos sócios internacionais que trabalhem em prol do meio ambiente e ajam rapidamente para repensar os programas de reflorestamento para o país.

cre/lum/cn

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