Desmatamento da Amazônia não traz compensações econômicas duráveis (estudo)

A derrubada da floresta amazônica para o cultivo da soja ou a criação de gado não produz ganhos econômicos duráveis, segundo um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisa que está sendo publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos.

AFP |

O desmatamento tende a provocar uma elevação inicial rápida nos Índices de Desenvolvimento Humano local, IDH, mas a vantagem desaparece em seguida, na medida em que o desmatamento avança.

A Amazônia é a região do Brasil menos desenvolvida econômicamente, mas de grande importância para o meio ambiente e o clima porque contém 40% da floresta tropical do planeta e grande riqueza da biodiversidade.

Cientistas analisaram 286 municípios amazônicos com diferentes graus de desmatamento. Concluíram, examinando mudanças na expectativa de vida, nas taxas de alfabetização e de rendimento per capita de seus moradores, que sua qualidade de vida havia melhorado rapidamente no início.

Estas conquistas econômicas se explicam, provavelmente pelo fato de que essas populações tirariam vantagem de recursos naturais como madeiras, minerais e a transformação da superfície da floresta em pastos para o gado e em campos de cultivo, destaca Ana Rodriguez, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva de Montpellier (França), principal autora desta pesquisa.

Os rendimentos mais elevados gerados por essas atividades combinados a novas estradas construídas melhorariam o acesso a escolas e a cuidados médicos levando a condições de vida que seriam consideradas satisfatórias.

Mas os resultados do estudo desmonstram que esses ganhos econômicos e a melhoria do nível de vida não são duráveis e que o nível de desenvolvimento cai abaixo do da média nacional brasileira, assim que for concluída a exploração de recursos naturais produzidos pelo desmatamento, destacam os cientistas que publicam o estudo na revista americana Science deste 12 de junho.

"Constatamos que o desmatamento produz inicialmente a melhora da renda, da expectativa de vida e da alfabetização mas estes ganhos não são sustentáveis", destaca Rob Ewers do Imperial College of London, um dos autores do trabalho.

Segundo os pesquisadores, o problema "não tem solução única". Entre as sugestões, estão o apoio a um uso melhor das áreas já desmatadas, restrições a novos desmatamentos, além do reflorestamento de áreas degradadas e incentivos a atividades sustentáveis, como manejo florestal e pagamento por serviços ecológicos.

O estudo é assinado por pesquisadores do Instituto Superior Técnico de Portugal, do Imazon, do Centre d'Ecologie Fonctionnelle et Evolutive, da França, e das universidades britânicas de Cambridge, Imperial College London e de East Anglia, e coordenado por Ana Rodriguez.

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