Desmaios de cavalos do Central Park estimulam debate em Nova York

Nas últimas seis semanas, três animais desmaiaram, sendo que um deles morreu; incidentes aumentam campanha pelo fim do passeio

Carolina Cimenti, de Nova York |

Nada é mais romântico que passear em uma carruagem levada por um cavalo branco nas estreitas vielas do Central Park cobertas de neve em Nova York. Mas se o animal sofre com doenças e fadiga por trabalhar longas horas todos os dias, o romanticismo pode virar um pesadelo.

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Carruagem puxada por cavalo é vista no Central Park de Nova York (14/11)
Nas últimas seis semanas, três cavalos de carruagens no Central Park desmaiaram no meio da rua, sendo que um deles, Charlie, morreu. Os incidentes estimularam legisladores e organizações protetoras dos animais a reivindicar o fim das tradicionais carruagens puxadas por cavalos no parque.

O incidente mais recente ocorreu no fim da tarde do domingo do dia 4. Depois de levar turistas na sua carruagem por mais de nove horas, um cavalo desmaiou no meio da Central Park South, uma avenida movimentada de Manhattan, assustando os turistas que passavam pelo local. Foram necessárias seis pessoas para ajudar a levantar o animal e colocá-lo no caminhão do veterinário.

No início de novembro, outro cavalo passou exatamente pela mesma situação. Mas a polêmica com os cavalos do Central Park começaram no final de outubro, quando Charlie, de 15 anos, morreu na Oitava Avenida com a rua 54, a caminho do Central Park, enquanto puxava a carruagem com turistas.

Somos muito cuidadosos com esses cavalos e, se estão nas ruas, é porque têm saúde. Agora, saber se estão felizes, isso eu não sei dizer", disse prefeito de NY

A autópsia do animal, paga pela Sociedade Americana pela Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA, na sigla em inglês), informou que ele sofria de úlcera estomacal e tinha um dente fraturado.

Inicialmente Pamela Corey, uma veterinária da ASPCA, afirmou que “estava muito preocupada pelo fato de Charlie ter sido forçado a trabalhar mesmo sofrendo com essas doenças”. Posteriormente, ela corrigiu o que havia dito, afirmando que é impossível saber se o cavalo sofria ou não, e foi demitida.

Os representantes do sindicato dos Cavaleiros e Carruagens dizem que os três acontecimentos não foram causados por mau-tratos ou negligências, e são apenas incidentes. Eles dizem que os donos dos cavalos e das carruagens são os maiores interessados em mantê-los saudáveis. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, os apoia.

“Somos muito cuidadosos com esses cavalos e, se estão nas ruas, é porque têm saúde. Agora, saber se estão felizes, isso eu não sei dizer”, disse Bloomberg, que também afirmou que “a maior parte desses cavalos provavelmente nem estaria viva se não tivesse empregada”, aumentando ainda mais a polêmica entre os protetores de animais.

Segundo a prefeitura da cidade, as carruagens e os cavalos do Central Park fazem parte da herança cultural de Nova York e ajudam a atrair turistas todos os anos. De acordo com o jornal New York Times, a indústria de carruagens de cavalo licenciadas — 68 carruagens, 216 cavalos e 282 condutores — produz anualmente cerca de US$ 15 milhões, de acordo com estimativas.

Os condutores cobram US$ 50 por um percurso de 20 minutos no Central Park e US$ 20 para cada dez minutos adicionais. Em um boa dia, eles podem fazer 15 viagens, faturando ao menos US$ 750 mais gorjetas.

Os ganhos dos condutores variam de US$ 40 mil a US$ 100 mil anualmente, dependendo principalmente se eles são donos dos cavalos, em que período do dia trabalham (os horários da manhã são mais lucrativos) e quão ruins estão o tempo e a economia.

*Com New York Times

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