Desistências expõem dificuldades de democratas em eleições de novembro

O período difícil que o presidente dos EUA, Barack Obama, enfrentou durante seu primeiro ano de mandato já começa a se refletir nas perspectivas de seu Partido Democrata nas eleições de novembro.

Leda Balbino, IG São Paulo |

Em dois dias seguidos, dois senadores e um governador do partido desistiram de buscar novos mandatos em novembro, expondo os temores em relação aos índices de popularidade em queda de Obama, à insatisfação da opinião pública americana e ao aparente renascimento do Partido Republicano.

Na terça-feira (5), o senador pela Dakota do Norte, Byron Dorgan, de 67 anos, e o governador do Colorado, Bill Ritter, de 59 anos, revelaram que não concorrerão em novembro. Na quarta-feira (6), seus exemplos foram seguidos pelo senador por Connecticut, Chris Dood, de 65 anos.

AP
Dodd, Dorgan e Ritter já desistiram da disputa

Dodd, Dorgan e Ritter já desistiram da disputa

Os anúncios dos dois senadores veteranos e um governador em primeiro ano de mandato destacam o quanto os democratas iniciam este ano na defensiva. Com 29 anos no Senado americano, Dodd é o nono senador com mais tempo de serviço na Casa e, em 2008, foi até cotado para concorrer como vice na chapa de Obama, depois de ver frustrada sua intenção de ser o candidato democrata à presidência.

No Brasil, os políticos há mais tempo no Senado brasileiro são José Sarney (PMDB-AP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Marco Maciel (DEM-PE). Sarney foi senador pelo Maranhão de 1971 a 1985, quando sucedeu Tancredo Neves na presidência do Brasil. Em 1990, retomou sua trajetória política como senador pelo Estado do Amapá, ocupando a presidência do Senado de 1995 a 1997, 2003 a 2005 e novamente desde 2 de fevereiro de 2009. Simon está há 27 anos no Senado, e Marco Maciel desde 1983 (só não são os mesmos 27 anos de Simon porque ele foi vice-presidente de Fernando Henrique entre 1995 e 2002).

Com o desaparecimento da euforia que acompanhou Obama durante a campanha eleitoral de 2008, quando os democratas confirmaram sua maioria no Congresso, o partido já prevê perder 30 ou mais cadeiras na Câmara de Representantes de 435 membros, segundo a agência Associated Press. Impulsionados pelo efeito Obama, atualmente os democratas detêm 258 assentos na Casa, enquanto os republicanos, 178.

Também há expectativa de que os democratas se tornem minoria entre os governos estaduais e percam a maioria de 60 cadeiras (incluindo dois independentes) no Senado ¿ os republicanos têm 40 assentos na Casa.

Em novembro, será renovado um terço das 100 cadeiras do Senado e estarão em disputa 39 dos 50 governos estaduais do país. De acordo com o jornal americano Washington Post, atualmente a palavra de ordem no partido é sobrevivência.

Consequências políticas

O anúncio de Dodd pode, na verdade, até ajudar os democratas a manter a vaga de Connecticut, já que o partido rapidamente recrutou um candidato mais forte, mas a desistência de Dorgan pode custar ao partido a 60ª cadeira no Senado. Seu Estado, a Dakota do Norte, é tradicionalmente republicano.

Se isso se confirmar, Obama deve se ver impossibilitado de implementar o resto de sua agenda até o fim de seu mandato, em 2012.

Um sinal claro disso foi a dificuldade enfrentada pelo governo para aprovar o projeto de lei de reforma da saúde, mesmo com a maioria folgada. Entre os 60 governistas, os dois independentes condicionaram seu apoio a grandes modificações no projeto de lei. A medida deve ter sua aprovação definitiva no fim deste mês.

E, se os republicanos cumprirem a expectativa de grandes vitórias na Câmara dos Representantes, dificultará ainda mais a aprovação de propostas do governo.

As razões das desistências

O senador Dodd, há 35 anos no Congresso (dos quais 29 no Senado) e presidente da Comissão de Questões Financeiras, de Habitação e Urbanas do Senado, enfrentou uma série de derrotas políticas nos últimos três anos ¿ como o fracasso em concorrer à presidência e a antipatia popular a um pacote de ajuda à indústria financeira que ele e outros apoiaram. Além disso, Dodd lutou no ano passado contra um câncer de próstrata. Segundo a AP, ele foi forçado pelo próprio partido a desistir da candidatura.

Já o senador Dorgan, há 29 anos no Congresso (dos quais 16 no Senado) e presidente da Comissão de Política Democrática, justificou sua decisão alegando questões pessoais. No entanto, segundo o Washington Post, ele parece ter se antecipado à possibilidade de que o popular governador republicano John Hoeven concorra ao Senado.

O governador Ritter (2007-2010), também segundo o "Post", teria sido convencido a não buscar a reeleição por questões políticas, pessoais e pela possibilidade de que os republicanos tenham um bom desempenho no Colorado este ano.

*Com informações de iG Brasília, Associated Press, Guardian e Washington Post

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