A desigualdade econômica e social da América Latina pode colocar em perigo os avanços democráticos e o progresso econômico, advertiu nesta terça-feira o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, que dará prioridade a este tema na cúpula de Lima.

"Esses desequilíbrios podem, se não forem administrados adequadamente, pôr em perigo os importantes avanços obtidos nos últimos anos tanto em nível da consolidação da democracia e do Estado de direito quanto no âmbito dos progressos econômicos e sociais", ressaltou Barroso em uma entrevista coletiva à imprensa na Cidade do México.

Barroso, antes de sua viagem ao Peru para participar da V Cúpula América Latina e Caribe-União Européia (ALC-UE), assegurou que "os grandes temas que serão discutidos nesta reunião (são) a luta contra a pobreza, a desigualdade, a luta pela inclusão e pelo desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas".

O presidente da Comissão Européia também saudou os "progressos muito significativos no campo das reformas democráticas" que se evidenciam na região com os últimos processos eleitorais.

No entanto, "as tensões políticas e sociais que têm acompanhado estes processos em alguns casos e seus resultados nos permitem ver de maneira clara que ainda existe na América Latina uma série de desequilíbrios econômicos, políticos e sociais particularmente intensos", afirmou.

Tais desequilíbrios, acrescentou, têm sua origem na "grande e preocupante desigualdade que existe em todos os níveis no continente latino-americano".

Barroso lembrou que, de acordo com a Cepal, 227 milhões de latino-americanos, 44,4% de sua população total, vivem em condições de pobreza.

Por isso, afirmou que os esforços da comissão se centrarão em "dar prioridade à coesão social na política de ajuda e cooperação" e em uma "associação progressiva entre as organizações internacionais e a sociedade civil em torno deste objetivo".

pap/dm

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