Desgaste de grandes partidos revitaliza pequenos na Alemanha

Gemma Casadevall. Berlim, 26 set (EFE).- A grande coalizão de Angela Merkel nasceu do enfraquecimento das principais forças políticas, os democratas-cristãos e os social-democratas, e os quatro anos de gestão conjunta acentuaram seu desgaste, enquanto as legendas menores, como as dos liberais e verdes, se fortaleceram na oposição.

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Em 2005, Merkel se tornou chanceler à frente de uma coalizão entre a União Democrata-Cristã (CDU), a União Social-Cristã da Baviera (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), todos conscientes de que partiam de uma situação anormal.

Pela primeira vez desde os anos 50, a soma das forças majoritárias não alcançava nem 70% dos votos - eram 35,2% para a CDU/CSU e 34,2% para o SPD.

A fragilidade forçou os partidos a se coligarem. A experiência não fortaleceu as fileiras de Merkel, que mesmo assim, segundo as pesquisas, deve ser manter no cargo após as eleições de amanhã.

A campanha eleitoral deve ser um passeio para Merkel, mesmo que as previsões apontem para que ela repita o resultado das últimas eleições, o pior da CDU/CSU desde 1953.

Mais complicada deve ser a situação para o SPD, que provavelmente terá, segundo as pesquisas, aproximadamente 25% dos votos, também o pior do partido mais antigo do país desde a fundação da República Federal da Alemanha.

Ao longo da última gestão, o SPD viu o partido A Esquerda se tornar a terceira maior legenda na metade leste e ainda ganhar um bom terreno no oeste.

O enfraquecimento dos grandes partidos ameaça o esquema de alternância bipartidária, enquanto emergem com força as legendas minoritárias.

O eleitorado perdido pelo SPD alimentou A Esquerda, liderada pelo antes comunista Gregor Gysi e o ex-social-democrata Oskar Lafontaine, enquanto o Partido Democrático-Liberal (FDP), de Guido Westerwelle, cresceu às custas da legenda de Merkel.

Nos liberais, a ascensão foi de mãos dadas com a vontade do partido de estar de novo no Governo. No caso do A Esquerda, há até mais méritos, já que ele parece descartado pelo resto das legendas como possível membro do Governo federal.

Quando Westerwelle assumiu a liderança liberal, em 2001, o FDP estava em queda. De partido presente em praticamente todos os Governos da Alemanha, passou à oposição com a ascensão de Gerhard Schroeder à frente da aliança entre social-democratas e verdes.

Dessa posição confusa para um partido acostumado a estar no Governo, Westerwelle reconduziu seus seguidores à ascensão. Dos 6,2% com que passou à oposição em 1998, foi para 9,8% em 2005 e deve chegar a 14% no domingo.

Espera-se para ver se o enfraquecimento dos grandes não prejudicará o FDP, como quatro anos atrás, quando teve que seguir na oposição por não entrar na coalizão chefiada por Merkel.

O FDP é, entre os pequenos, o único partido com chances claras de passar agora a sócio de Governo, embora seja preciso ver se a história de quatro anos atrás se repetirá.

O maior crescimento entre as forças menores corresponde ao A Esquerda. Após a reunificação, os antes comunistas deviam suas poucas cadeiras a alguns mandatos diretos ou a vitórias de distrito em seus redutos no leste, enquanto no oeste obtinham resultados pífios.

Em 2005, estrearam como aliados da dissidência do SPD e chegaram a 8,7%. Agora, devem conseguir 10% ou 11%.

Os Verdes também voltaram à oposição após duas legislaturas no Governo. Enquanto o SPD ganhou, como coligado de Merkel, o eleitorado que começou a surgir nos tempos de Schroeder, os ecopacifistas preveem um crescimento semelhante ao dos demais pequenos.

Dos 6,7% de 1998, quando deixaram a inofensividade opositora para se aliar a Schroeder, passarão a 11%. EFE gc/rr

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