Por Julie Steenhuysen CHICAGO (Reuters) - Apesar do seu uso disseminado, os desfibriladores implantáveis não protegem da morte mulheres com insuficiência cardíacas graves, disseram pesquisadores dos EUA nesta segunda-feira.

Esses mecanismos detectam as arritmias cardíacas e administram choques que restauram o batimento regular. Mas um novo estudo mostra que o benefício pode ser muito mais expressivo em homens.

"Parece que há um benefício muito menos significativo (para as mulheres)", disse Christian Machado, do Instituto do Coração e Centro Médico do Providence Hospital, de Michigan, cujo estudo saiu na revista Archives of Internal Medicine.

"Desfibriladores-cardioreversores implantáveis estão sendo implantados em centenas de milhares de mulheres sem evidência substancial de benefício", disse Rita Redberg, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, em um comentário publicado na revista.

Quase 22 milhões de pessoas sofrem de insuficiência cardíaca no mundo. São 5,3 milhões de pacientes nos EUA, sendo quase metade deles mulheres.

Pessoas com insuficiência cardíaca têm seis a nove vezes mais probabilidade de sofrerem paradas cardíacas repentinas, em que o coração fibrila (treme sem conseguir bombear o sangue para o corpo). Os desfibriladores implantáveis identificam essa arritmia e administram um choque que restaura o batimento normal.

Ghanbari disse que os estudos que apontaram a eficácia desses aparelhos continham uma amostragem masculina excessiva. Ele e seus colegas examinaram pesquisas clínicas feitas entre 1950 e 2008.

De acordo com eles, 70 e 80 por cento dos pacientes nesses estudos eram homens. Em cinco estudos com 934 mulheres com insuficiência cardíaca avançada, nenhum deles mostrou uma redução significativa na mortalidade nas pacientes que usavam o desfibrilador implantável, em comparação às que apenas usavam medicamentos.

Já entre os 3.810 homens avaliados nos estudos, houve uma redução significativa na mortalidade com o uso do desfibrilador.

Ele afirmou que não seria ético realizar um estudo com um componente aleatório para provar que as mulheres não se beneficiam do uso do mecanismo, mas que os atuais estudos devem assegurar que estão avaliando corretamente homens e mulheres, "recrutando pelo menos a mesma quantidade de mulheres e homens."

Os desfibriladores implantáveis, cuja implantação custa de 20 a 30 mil dólares, representam um mercado global de 6 bilhões de dólares para empresas como Medtronic, Boston Scientific Corp. e Saint Jude Medical.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.