Deserta, Havana sofre com a chegada do poderoso furacão Gustav

Deserta e com seus moradores protegidos em suas casas, Havana sofria, neste sábado, com a força dos ventos e das chuvas do devastador furacão Gustav, que atingiu uma ilha do sudoeste de Cuba com potência brutal de categoria 4.

AFP |

Preocupados, os havaneses correram desde cedo, de uma loja a outra, para completar o kit de emergência que lhes permitirá suportar a passagem de Gustav.

"Não sabemos o tempo que isso vai durar e tínhamos de comprar comida leve, que possamos consumir sem precisar cozinhar, durante o furacão e também para depois", disse à AFP Evaristo Pérez, um mecânico de 62 anos, que tentava completar o que chamou de sua "cesta antifuracão".

"Quando você viveu alguns anos e passou por centenas de furacões, já sabe o que comprar: pão, biscoitos, leite condensado, alguma coisa de doce, bebidas, salsicha", explicou Pérez, que caminhava pelo bairro de Vedado com duas sacolas repletas de comida.

De manhã, havia filas em quase todas as lojas, assim como em padarias e cafés. Acostumados com a passagem dos furacões, os havaneses já reforçam a proteção das janelas e portas de suas casas, correm para se abastecer de alimentos e itens de primeira necessidade, fervem água e guardam velas - para usar em caso de apagão.

"Estar no escuro no meio de um furacão é uma coisa que eu detesto, mas já encontrei", comentou, com um sorriso, Kenia González, uma professora de 35 anos que conseguiu comprar, depois de procurar por horas, uma caixa de velas em uma das lojinhas do Vedado.

Apesar dos constantes anúncios sobre o poderoso Gustav, feitos na TV cubana pelo chefe do Centro de Prognósticos do Instituto de Meteorologia de Cuba (IMC), o especialista José Rubiera, alguns foram tomados de surpresa.

"Realmente não esperava, fazia tempo que um furacão tão poderoso não nos afetava, e esse Gustav parece que será bem forte. Medo eu não tenho, mas sim preocupação com o que pode trazer de conseqüências para nós", afirmou Gliseria Fariñas, uma atriz aposentada.

Um dos principais temores, na capital, é em relação a possíveis desabamentos dos imóveis em estado já crítico, principalmente na parte histórica, Havana Velha, declarada Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1982.

Segundo autoridades cubanas, existem, em Havana, cerca de 1.000 prédios "em estado crítico", com pelo menos 8.000 casas que abrigam mais de 26.000 pessoas. Muitos desses imóveis ficam em Havana Velha.

A maioria ainda se lembra do furacão Wilma, que castigou Havana, em outubro de 2005, e causou históricas invasões do mar na cidade.

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