Desenvolvimento no Brasil está errado; diz ex-secretário do Amazonas

A crise econômica mundial é uma oportunidade para mudar o modelo de desenvolvimento do Brasil, na opinião do ex-secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Virgílio Viana. Em Londres para falar sobre as experiências de sua Fundação Amazonas Sustentável em projetos de REDD (sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação de florestas), Viana criticou o modelo brasileiro em entrevista à BBC Brasil.

BBC Brasil |

"O estilo de desenvolvimento que o Brasil adota, no geral, é profundamente equivocado", disparou Viana.

"O sistema de transportes brasileiro, só baseado em rodovias, é algo que não faz sentido num mundo que caminha para uma economia de baixo carbono. Precisamos repensar profundamente todos os setores da vida nacional."
As críticas do especialista em meio ambiente se estendem ainda à aprovação de projetos de construção de usinas termelétricas no país, que, segundo ele, estão "sujando a boa matriz energética" brasileira.

Para Viana a atual crise é "muito positiva", porque abre a possibilidade de não apenas o Brasil, mas todo o planeta mudarem o estilo de desenvolvimento.

"Se não fizermos isso, nós estaremos fritos, literalmente, porque essa questão do clima são fatos objetivos que temos que enfrentar da forma mais eficiente possível", disse Viana.

O ex-secretário foi muito aplaudido na terça-feira em sua palestra em Londres sobre a experiência em projetos REDD no Amazonas.

Viana defendeu diante de uma audiência que incluía a ativista Bianca Jagger e o acadêmico da London School of Economics Anthony Hall uma solução simples para a viabilização de REDD.

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O grande obstáculo na implementação de projetos que evitem o desmatamento é o financiamento. Nesta questão, os defensores do REDD se dividem em duas correntes, os que preferem instrumentos de mercado e aqueles que sustentam que a participação do governo seja fundamental.

Viana propõe uma solução combinada entre os dois: a verba proveniente do mercado de carbono seria dedicada a projetos específicos e localizados; enquanto recursos geridos pelo Estado sejam aplicados em ações de governança.

Para evitar o risco de de que a entrada de créditos de carbono provenientes de projetos de REDD inunde o mercado, derrubando o preço do carbono, o estudioso propõe que uma cota de apenas 10% dos créditos seja reservada a REDD.

Como argumento de que é possível implementar este modelo, Viana citou o projeto Juma, gerenciado pela FAS no Amazonas, que no ano passado foi aprovado com louvor no teste de qualidade da empresa alemã T¿V.

O modelo já atraiu o interesse de 15 países da África, que se reuniram com o ex-secretário do Amazonas em Londres nesta semana.

O tema REDD deve ser um dos assuntos mais polêmicos na negociações para um acordo pós-Kyoto na reunião das Nações Unidas sobre o Clima de dezembro, em Copenhague.

Embora os países já tenham concordado em incluir a preservação de florestas em um futuro acordo sobre o clima, ainda não há qualquer tipo de arcabouço para orientar a implementação disso.

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