Desenvolvimento em áreas desmatadas da Amazônia dura pouco, diz pesquisa

Washington, 11 jun (EFE).- As áreas florestais da Amazônia que sofrem com o desmatamento registram um rápido desenvolvimento, mas esse avanço dura pouco, revelou o estudo de um grupo internacional de cientistas divulgado hoje pela revista Science.

EFE |

A situação piora quando entram em cena os madeireiros e fazendeiros na Amazônia brasileira, pois o nível de vida cai abaixo da média registrada em nível nacional.

"Isto demonstra que o modelo de desenvolvimento aplicado para a região brasileira do Amazonas não é o adequado, nem de um ponto de vista ambiental nem de um ponto de vista humano", afirmou em entrevista à Agência Efe, Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva, em Montpellier (França).

"Embora a qualidade de vida aumente com o desmatamento, esse é um aumento transitório que se perde à medida que a fronteira continua avançando", acrescentou.

Rodrigues qualificou como um erro "supor que o desmatamento é o preço que se deve pagar pelo desenvolvimento".

Também participam da pesquisa os cientistas do Imperial College de Londres e da Universidade de Cambridge, que disseram que a conclusão é fundamental pela importância que a região tem para o planeta.

"A Amazônia é fundamental para a regulação do clima global, já que sua destruição tem como resultado a emissão anual de 250 milhões de toneladas de dióxido de carbono", disse Rodrigues.

Segundo os cientistas, desde 2000 a atuação dos madeireiros derrubou 155 mil quilômetros quadrados de áreas florestais do Amazonas para explorar as árvores ou aproveitar as terras para a agricultura.

O grupo internacional de cientistas analisou as mudanças na expectativa média de vida, alfabetização e renda per capita das pessoas de 286 municípios da Amazônia brasileira que tinham sofrido diversos graus de desmatamento.

O estudo revelou que a qualidade de vida local aumentou rapidamente durante os primeiros períodos do desmatamento.

Os cientistas explicam que isso provavelmente se deve a que as pessoas capitalizaram os novos recursos naturais, incluindo madeiras, minerais e terras agrícolas. Além disso, os novos caminhos melhoraram o acesso à educação e à medicina.

No entanto, os avanços duraram pouco e o nível de desenvolvimento recuou a um nível inferior à média nacional assim que os recursos foram explorados e as fronteiras do desmatamento avançaram a terras virgens.

"A qualidade de vida antes e depois do desmatamento foi substancialmente inferior à média nacional do Brasil", afirmou o estudo.

Segundo Rodrigues, o desafio agora para toda a Amazônia é encontrar um modelo de desenvolvimento que permita uma melhora sustentável da qualidade de vida sem a destruição dos recursos naturais. EFE ojl/db

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