Desenvolvidos? Uma em cada 10 crianças é vítima de maus-tratos no primeiro mundo

Uma em cada dez crianças é vítima de maus-tratos nos países desenvolvidos, apontaram especialistas nesta quarta-feira, alertando que os abusos cometidos contra menores nos países mais industrializados são mais comuns do que se possa imaginar.

AFP |

Pesquisadores de universidades da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos fizeram, junto com sua advertência, um apelo para que mais recursos sejam destinados à investigação de casos de maus-tratos contra crianças, e para que a população se mobilize para combater os abusos.

"É um problema de saúde pública muito maior do que geralmente se percebe", lamentou Richard Horton, editor do jornal médico britânico The Lancet, que dedica sua última edição ao tema.

O problema ganhou dimensões escandalosas na Grã-Bretanha nas últimas semanas, quando veio à tona a morte de um bebê em conseqüência dos terríveis abusos que sofria nas mãos da mãe e do padrasto. O que, no entanto, deixou os ingleses ainda mais revoltados, foi o fato da criança ter sido examinada 60 vezes pelos serviços sociais antes de morrer - sem que nada tenha sido feito.

O caso de "Baby P.", como o menor é chamado na imprensa, provocou uma onda de indignação e uma enxurrada de apelos por normas mais duras para garantir a segurança das crianças.

Baby P. era espancado regularmente pelo namorado de sua mãe, que finalmente o matou, aos 17 meses de idade, com um soco na boca - o golpe arrancou dois dentes do pequeno, que já estava paralisado em conseqüência de uma fratura na espinha dorsal.

Os especialistas americanos e britânicos destacaram, contudo, que sua pesquisa não foi motivada pelo caso de Baby P.

"A conclusão mais importante é que há um número considerável de crianças (...) expostas a estas experiências negativas, que terão impacto" em suas vidas, apontou Cathy Widom, professora da Universidade da Cidade de Nova York, durante uma apresentação do estudo em Londres.

Ruth Gilbert, professora do University College de Londres, acrescentou que, com base em vários estudos acadêmicos nos quais foram entrevistadas crianças - perguntadas se sofriam maus-tratos - e pais - indagados sobre que método disciplinar utilizavam com seus filhos, a equipe constatou que pelo menos um décimo desses menores sofreu algum tipo de abuso.

Os especialistas, no entanto, informam que os números oficiais sobre o assunto são bem menores.

Mesmo assim, Horton pediu uma "revisão imparcial destes dados sobre os maus-tratos contra crianças".

O The Lancet, por sua vez, publicou um comentário sobre o problema, no qual lamenta que "a segurança das crianças é, com freqüência, debatida apenas sob a ótica de disputas e divisões políticas".

"Apesar da desaprovação popular em relação aos maus-tratos, vemos repetidamente que as provas dos abusos e da negligência contra menores não são capazes de influenciar o debate político", destacou o jornal.

psr/ap/sd

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