Desencontro entre opositores marca diálogo sobre crise em Honduras

Douglas Marín Mata. San José, 9 jul (EFE).- O diálogo na busca de uma solução para a crise política em Honduras, com a mediação do presidente costarriquenho, Óscar Arias, foi instalado nesta quinta, mas os principais envolvidos no conflito, o líder deposto Manuel Zelaya e o novo chefe de Estado Roberto Micheletti, acabaram não se encontrando.

EFE |

O principal objetivo de Arias para essa quinta era estabelecer uma agenda de temas a discutir, para depois colocar na mesma mesa Zelaya e Micheletti, algo que não aconteceu pois o líder em exercício decidiu retornar a Honduras.

Arias se reuniu separadamente com ambos para conhecer suas reivindicações sobre a profunda crise política que Honduras atravessa desde 28 de junho, quando o Exército expulsou Zelaya do país e, logo em seguida, Micheletti assumiu a chefia de Estado.

Depois de quase três horas fechado com o mediador, Micheletti declarou que retornava ainda nesta quinta a seu país, mas que deixava instalada uma comissão de diálogo para continuar as conversas com a equipe de Zelaya, destinadas a solucionar o conflito hondurenho.

"Foi iniciado o diálogo e fica instalada nossa comissão de trabalho, que é integrada pelo ex-chanceler Carlos López, Arturo Currais, Mauricio Villega (ambos assessores do líder), e Vilma Morales, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça", disse Micheletti ao fim do encontro com Arias.

Além disso, o presidente Honduras confirmou que acontecerão, como estava programado, as eleições de 29 de novembro próximo em seu país e se mostrou confiante de que os hondurenhos poderão resolver seus "problemas internos".

Zelaya, que até permanece na Costa Rica, nomeou como representantes sua chanceler, Patricia Rodas; Silvia Ayala, deputada de Partido Unificação Democrática; Salvador Zúniga, coordenador de organizações populares, e Milton Jiménez, presidente de Comissão de Bancos e Seguros.

O líder deposto, que chegou à Costa Rica na quarta-feira, se reuniu com Arias durante menos de uma hora e declarou após o encontro que acredita que foi "congruente com a posição de Honduras, a restituição do Estado de direito e a democracia".

Zelaya viajará amanhã para Santo Domingo, na República Dominicana, onde se reunirá com o presidente Leonel Fernández, segundo fontes do Governo local.

A ministra da Comunicação costarriquenha, Mayi Antillón, declarou em coletiva de imprensa que o importante é que "foi iniciado o diálogo e que se está conversando respeitosamente".

Antillón contou que essa é uma "primeira etapa" na qual se pretende "quebrar o gelo" e elaborar a agenda de assuntos a abordar, por isso que Arias está apenas ouvindo as posições dos dois lados.

Em uma futura segunda fase, explicou a ministra, Zelaya e Micheletti confirmaram a Arias a vontade de participar das conversas.

A ministra negou que as gestões desta quinta tenham fracassado e evitou prever por quanto tempo se estenderá esta primeira fase de diálogo, mas reconheceu que é provável que termine nesta sexta.

Arias, que não deu declarações à imprensa, não pôde cumprir seu objetivo de sentar em uma mesma mesa que Micheletti e Zelaya, mas agora dialoga com as comissões, em companhia de seu irmão e ministro da Presidência, Rodrigo Arias, de seu chanceler, Bruno Stagno, e da ministra da Justiça, Viviana Martín.

A jornada foi marcada, além disso, por um grande grupo de manifestantes que protestou contra a presença de Micheletti no país e gritou palavras de ordem a favor de Zelaya e contra o golpe de Estado. EFE dmm/rr

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