Desemprego tem queda inesperada no Japão

A taxa de desemprego teve uma leve redução de 0,2 pontos percentuais em agosto no Japão, na comparação mensal, e atingiu 5,5%. Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelo ministério das Comunicações e Assuntos Internos, a inesperada queda foi a primeira desde o começo do ano.

BBC Brasil |

A situação melhorou, segundo o governo, graças às ações de estímulo à economia. Foi a primeira vez neste ano em que o índice de desemprego caiu.

Em julho, o índice chegou a 5,7%, a maior taxa da história do país.

No entanto, em comparação ao mesmo período do ano anterior, há hoje 890 mil desempregados a mais. No total, são 3,61 milhões de pessoas sem ocupação, a maioria despedida após o início da crise econômica.

O setor industrial é o que menos tem vagas a oferecer. São 41,3% de colocações a menos em relação ao mesmo mês do ano anterior. Mas na comparação mensal, agosto se saiu bem melhor que julho, quando foi registrado queda de 46,3%.

Apesar da melhora, a situação no setor que mais empregava brasileiros no país continua difícil.

Uma grande parte dos cerca de 300 mil brasileiros que vivem no país ainda está à procura de serviço, já que a maioria tinha emprego em fábricas de eletrônicos e autopeças, as mais afetadas pela crise econômica.

Cestas básicas
Desde setembro do ano passado, cerca de 54 mil brasileiros já deixaram o arquipélago e voltaram ao Brasil por causa da falta de emprego.

"Dos que ficaram, muitos passam necessidade, mas não querem voltar ao Brasil pois acham que a situação vai ser pior lá", atesta Carlos Zaha, 45 anos, presidente da associação Brasil Fureai, entidade que ajuda brasileiros desempregados.

Zaha conta que, por semana, a entidade entrega cerca de 30 cestas básicas a famílias pobres só na região de Hamamatsu, na província de Shizuoka.

"Esses dekasseguis ainda acreditam que vão conseguir um emprego aqui no Japão", conta.

Kazuo Nakazato, 63 anos, é um exemplo. Ele, que está há sete anos no Japão com a esposa, perdeu o emprego em maio deste ano e, desde então, conta com a ajuda de vizinhos e grupos de ajuda para sobreviver.

"Eles nos dão alimentos quando precisamos", conta.

O brasileiro faz bicos vendendo salgadinhos, que ele teve de aprender a fazer, e palmilhas.

"Vou continuar aqui porque acredito que vou conseguir um emprego. Além disso, minha esposa gosta daqui e ela já está trabalhando", fala.

Já o carioca C.T. (que preferiu omitir seu nome), 41 anos, perdeu as esperanças de conseguir um serviço. Há 20 anos no país, ele está desempregado também desde maio deste ano e corria o risco de ter de deixar o apartamento onde mora atualmente.

"Tenho feito alguns bicos, mas não dá para sobreviver assim", reclama ele, que resolveu pedir a ajuda de retorno do governo japonês. "É a minha última alternativa", lamenta, ao se referir ao auxílio de US$ 3 mil que o Japão dá para cada imigrante voltar ao país de origem.

De 1º de abril até o final de setembro, pouco mais de 10 mil pedidos haviam sido feitos para receber essa ajuda. A grande maioria, segundo o ministério da Justiça, de brasileiros.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG