Desemprego pode chegar perto de 10% com crise, diz OCDE

A recuperação da economia mundial não impedirá que o desemprego continue crescendo, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a organização, 15 milhões de empregos desapareceram entre o fim de 2007 e julho de 2009.

BBC Brasil |

A média de desemprego para a área da OCDE chegou a 8,5% em julho - o índice mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial -, e pode até se aproximar de 10% de acordo com o relatório, com 57 milhões de pessoas sem trabalho.

Estados Unidos, Irlanda e Espanha foram os países mais atingidos mais cedo e mais duramente pela recessão, em grande parte porque as três economias foram golpeadas pelo colapso da bolha da construção da casa própria.

A recessão espalhou-se rapidamente por outras indústrias e países, tornando-se a mais profunda recessão global do pós-guerra.

Desde o começo da recessão, em dezembro de 2007, o desemprego nos Estados Unidos cresceu de 4,8% para 9,7% em julho - a taxa mais alta dos últimos 25 anos.

Estímulo ao mercado de trabalho
O desemprego aumentou a um ritmo muito menos acentuado em vários outros países da OCDE, inclusive em economias grandes como as da Alemanha, Itália e Japão. Levou mais tempo para que estas três nações sentissem os efeitos do desaquecimento da economia global.

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, recomendou aos governos que atuem de maneira rápida e decisiva para impedir que a recessão se torne uma crise de desemprego de longo prazo.

"Emprego é a consequência final da atual crise. É essencial que os governos se concentrem em ajudar os que procuram emprego nos próximos meses."
Gurría também defendeu uma resposta política coordenada para a crise.

A OCDE disse ainda que no curto prazo as medidas adotadas pela maioria dos países da OCDE para estimular a oferta de empregos teve um papel positivo. Entre essas medidas estariam a redução temporária das contribuições dos empregadores à seguridade social e subsídios no curto prazo para compensar trabalhadores que tiveram que reduzir sua jornada de trabalho e subsídios para encorajar empresas a contratarem funcionários.

"As perspectivas do mercado de trabalho seriam ainda piores se os governos não tivessem adotado política de expansão monetária e (política) fiscal", disse a OCDE.

A organização estima que os gastos dos governos em projetos contra a recessão vão levar a um aumento de vagas de emprego entre 0,8 e 1,4% a mais do que se não tivessem sido adotadas medidas nesse sentido.

"O maior risco é que parte desse grande aumento do desemprego se torne estrutural por natureza", disse o grupo.

A OCDE recomendou aos governos que prestem atenção especialmente para impedir uma "geração perdida" de jovens que fiquem desempregados por um longo período.

Um total de 30 países fazem parte da OCDE: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coreia do Sul, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruéga, Polônia, Portugal, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

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