Jairo Mejía. Tóquio, 29 ago (EFE).- A economia de um país com um desemprego em alta e um ambiente empresarial debilitado será o primeiro desafio do novo primeiro-ministro do Japão, para o qual os dois principais partidos nacionais têm diferentes receitas.

Para os opositores do Partido Democrático (PD), a segunda maior economia do mundo deve tomar um rumo diferente daquele ditado durante cerca de 50 anos pelo Partido Liberal-Democrático (PLD), ao qual pertence o primeiro-ministro Taro Aso.

Yukio Hatoyama, candidato do PD na eleição, acha que o Japão deve se concentrar mais na Ásia, estimular o consumo nacional e fechar um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos.

Já o PLD, que se apoia em sua experiência no poder e nas medidas de estímulo que aprovou no último ano, promete aumentar a renda dos japoneses, gerar emprego e fortalecer novos setores.

A notícia de que o Japão acaba de sair de uma recessão de 12 meses de duração contrasta com uma taxa de desemprego (5,7%) que é a pior do país desde o pós-guerra, algo ao que a maioria dos japoneses presta muita atenção.

De olho no máximo de votos possível, o PD acena para os eleitores descontentes, prejudicados pela pior recessão desde o fim da Segunda Guerra Mundial e por índices de desemprego e de emprego temporário que, num país acostumado ao trabalho vitalício, aparentam ser escandalosos.

A receita do PD passa pela redução das exportações e pelo estímulo à demanda interna. Para isso, quer incentivar o consumo das famílias com ajudas e cortes nos impostos.

Por outro lado, o programa econômico de Aso se baseia no continuísmo de medidas que ajudaram a aumentar o consumo - mediante planos de estímulo milionários -, mas não conseguiram incentivar os investimentos nem a geração de vagas de trabalho.

Quem quer que vença a disputa nas urnas, terá de compatibilizar suas promessas com uma dívida estatal que só aumenta e atualmente equivale a 180% do Produto Interno Bruto (PIB), algo que poderia frear os planos de ambos os candidatos, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Aso, que no último ano de Governo tentou consolidar sua imagem com iniciativas econômicas contra a crise, diz que o PD não tem experiência para governar nem para conduzir a economia num momento de recuperação.

Hatoyama, por sua vez, acusou o PLD de desperdiçar dinheiro burocratizando o Estado ao criar inúmeras agências que não ajudam em nada na solução dos problemas reais da população.

Aso, que também quer que pouco a pouco a economia japonesa dependa menos das exportações, deseja assegurar um crescimento de pelo menos 2% em 2011 com seus programas de estímulo. Outra promessa de campanha é a criação de dois milhões de empregos em três anos.

Em contrapartida, Hatoyama diz que não são necessárias medidas de estímulo adicionais, mas um corte nos gastos que permitiria ao Estado poupar 125,678 bilhões de euros em seu primeiro ano fiscal.

Com esse dinheiro, que o PLD duvida que seja possível economizar, Hatoyama promete uma ajuda mensal de 26.000 ienes (194 euros) para famílias com filhos, estradas gratuitas, fim da cobrança da matrícula nas escolas do Ensino Médio e a adoção de um sistema de seguridade social e de saúde similar ao europeu.

Mas o que mais preocupa os japoneses continua sendo o desemprego.

Para um país no qual o sistema de bem-estar se baseia principalmente no trabalho estável, a falta de emprego é um problema que desestimula o consumo e que fez a população perder a confiança na política dos governantes.

Para acabar com esse problema, o PLD defende o apoio a novos setores estratégicos, vinculados às energias renováveis, às tecnologias verdes e aos serviços próprios para a cada vez mais envelhecida população japonesa. EFE jmr/sc

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