A taxa de desemprego atingiu em junho o patamar de 5,4% no Japão, seu nível mais alto em seis anos, e os preços ao consumidor caíram no ano também de forma inédita, anunciou nesta sexta-feira o ministério japonês de Assuntos Internos.

Na tentativa de enfrentar a queda dos lucros, as companhias japonesas demitiram milhares de trabalhadores, levando a taxa de paralisação ao nível recorde do pós-guerra (5,5%, alcançado em abril de 2003)

Em junho, o Japão tinha 3,48 milhões de desempregados, que representam um aumento espetacular de 31,3% em um ano, para uma população ativa em queda de 1% a 66,48 milhões de indivíduos, destacou o ministério.

Em maio, a taxa ficou em 5,2%.

Este aumento do desemprego pelo quinto mês consecutivo é superior às previsões dos analistas, que esperavam 5,3%, segundo pesquisa da Dow Jones Newswires.

A taxa de desemprego pode ficar acima de 6% no início de 2010, segundo Hiroshi Shiraishi, economista do banco BNP Paribas.

O aumento do desemprego está também aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro, Taro Aso, antes das eleições de 30 de agosto, nas quais seu partido pode perder, pelo descontentamento gerado pela forte crise econômica no país.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, prometeu nesta sexta-feira aumentar o crescimento anual do Japão a 2% até março de 2011 e levar a renda per capita dos japoneses ao primeiro lugar do ranking mundial em 10 anos.

Também em junho, os preços ao consumo, sem contar os produtos perecíveis, caíram 1,7% ao ano, a queda mais forte registrada e a quarta consecutiva, confirmando a deflação no Japão, atualmente confrontada á sua pior recessão desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

Em junho no Japão, um notebook custava 48,4% mais barato que um ano atrás, uma câmara fotográfica digital, 31,6%, e uma viagem organizada, 17,4% mais barato.

A maioria dos economistas e das organizações internacionais espera que a deflação persista durante vários meses no Japão.

O Japão entrou em recessão há mais de um ano, com a queda da demanda mundial de seus automóveis, aparelhos eletrônicos e outros produtos de exportação.

Entretando, dados recentes como o aumento da produção industrial em 8,3% no segundo trimestre em relação ao anterior, o maior aumento desde 1953, alimentam esperanças de que a economia japonesa tenha voltado a crescer.

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