Desempregado francês oferece rim em troca de emprego

Depois de passar meses sem conseguir trabalho, um francês colocou anúncios na internet oferecendo seu rim em troca de um emprego fixo. É preciso encontrar saídas para a crise.

BBC Brasil |

Eu encontrei essa e, além disso, farei uma boa ação", diz Alain Canovaro, 43 anos, de Toulouse, no sul da França, que afirma ter enviado centenas de currículos em vão nos últimos meses.

Ele acredita que oferecer um órgão do corpo poderá facilitar sua procura por uma vaga em uma companhia.

"Muitas pessoas esperam por um rim ou têm parentes e amigos nessa situação. Talvez seja o caso de um empresário, que poderá me dar um emprego", diz ele.

Canovaro trabalhou na área hospitalar durante quinze anos e depois se tornou motorista de ônibus. Nos últimos seis anos, ele morou no exterior realizando diferentes trabalhos, entre eles o de treinador de cavalos de corrida.

Crise

Em entrevista ao jornal francês "La Depêche du Midi", ele afirma que a crise o obrigou a retornar à França no final do ano passado, mas não conseguiu encontrar um emprego até o momento.

Canovaro recebe recursos do programa francês de renda mínima, que garantem uma ajuda de 454 euros por mês (cerca de R$ 1,5 mil), menos da metade do salário mínimo no país.

Ele colocou cerca de uma dezena de anúncios na internet oferecendo seu rim em troca de um emprego fixo.

"Gostaria de trabalhar novamente na área hospitalar e me comprometo a ser operado no estabelecimento que quiser me contratar", diz Canovaro.

Atualmente, cerca de seis mil pessoas na França estão na fila à espera de um transplante de rim.

"Eu sei os riscos médicos que corro, mas meu padrasto vive bem com um rim só, então por que não eu?", questiona o desempregado, afirmando que teve a ideia de oferecer esse órgão de seu corpo justamente em razão dessa experiência pessoal.

Bioética

A oferta de Canovaro serve mais para chamar a atenção para o seu caso, porque sua proposta vai contra a legislação francesa.

Uma lei de 1994 proíbe que o doador de órgãos receba qualquer tipo de pagamento, seja qual for a forma de remuneração. A legislação diz ainda que o corpo humano não pode ser comercializado.

Uma lei francesa mais recente, de 2004, sobre a bioética, estipula que uma pessoa viva só pode doar órgãos para um membro de sua família ou para alguém com quem o doador resida há pelo menos dois anos.

A comercialização proposta por Canovaro é, portanto, proibida e pode render pena de até sete anos de prisão ou multa de mais de 100 mil euros.

Espanha

Na Espanha, a FACUA, uma das maiores associações de defesa dos consumidores, alertou, recentemente, para o aumento do número de pessoas que vendem seus órgãos na internet por causa da crise econômica.

A associação informa ter encontrado na internet dezenas de anúncios na Espanha de pessoas oferecendo seus órgãos por somas que variam de 12 mil a um milhão de euros.

Na França, em fevereiro passado, uma jovem desempregada de 26 anos, também de Toulouse, colocou no site de leilões e-Bay um anúncio propondo ter relações sexuais com quem oferecesse a maior quantia.

Não houve lances, mas o anúncio foi visto por mais de 500 pessoas em quatro dias, antes de ser retirado pelo site por desrespeitar as regras da empresa.


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