Desculpa de bispo que negou Holocausto é insuficiente, diz Vaticano

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano disse, nesta sexta-feira, que um pedido de desculpas feito pelo bispo que negou o Holocausto não é suficiente para cumprir com as exigências da Santa Sé. O Vaticano divulgou um comunicado um dia depois de o bispo britânico Richard Williamson ter pedido perdão pela dor que seus comentários possam ter causado.

Redação com agências internacionais |


O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o comunicado de Williamson "não parece atender às condições" impostas pelo Vaticano. O bispo pediu desculpas por seu comentário, mas não que estava equivocado e que não acreditava mais no que disse.

Williamson provocou ultraje ao dizer que não existiam câmaras de gás nos campos de concentração nazistas e que os judeus mortos no Holocausto não passaram de 300 mil - e não os 6 milhões citados pelos historiadores.

"Posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito tais comentários, e que se eu soubesse de antemão o total dano e dor que eles provocariam, especialmente à Igreja, mas também aos sobreviventes e parentes de vítimas das injustiças do Terceiro Reich, eu não os teria feito", disse Williamson, segundo o site da agência Zenit.

O pedido de desculpas, de acordo com o texto, foi entregue à comissão "Ecclesia Dei", criada em 1988 pelo papa João Paulo 2 o para tentar trazer dissidentes tradicionalistas como Williamson de volta à Igreja.

O bispo, que pertence à seita tradicionalista chamada Sociedade de São Pio 10 o , foi excomungado depois de ter sido ordenado em uma cerimônia não-autorizada, 20 anos atrás.

No mês passado, o papa Bento 16 suspendeu a excomunhão de Williamson e de três outros tradicionalistas, num esforço para curar um cisma que já dura duas décadas. A medida irritou líderes judaicos e muitos católicos.

Williamson, que passou a maior parte dos últimos 30 anos na Suíça e nos EUA, antes de assumir a direção de um seminário em Buenos Aires, foi expulso da Argentina na semana passada e voltou à Grã-Bretanha.

(Com informações da AP e da Reuters)

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